A atração por pessoas do mesmo sexo e a igreja: A plausibilidade do celibato | Tim Challies

Jesus disse: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham com plenitude” (João 10.10). Isso é algo que todos nós queremos, não é mesmo? Todos nós queremos uma vida plena. Mas como seria esse tipo de vida? Como e onde podemos encontrá-la? Qual é o seu preço? Esta é a pergunta inquietante, não?

O mundo à minha volta ensina que esse tipo de vida surge identificando o que sou e quem eu sou, para, então, partir para a busca por todo o caminho. Não há espaço aqui para a autonegação. Não há espaço aqui para deixar de lado os desejos pelo bem de outros. Não, a liberdade e a plenitude surgem quando busco completamente os meus desejos, mesmo que seja às custas de outros. Verificamos isso quando a premiê (pense no termo como governadora) de minha própria província foi louvada como corajosa e até mesmo heroica por abandonar seu casamento para que pudesse buscar um relacionamento com outra mulher. Verificamos isso quando um homem é louvado por sua disposição de abandonar sua família para que possa buscar sua nova identidade como uma mulher. Liberdade e bravura são expressas de um modo que se parece com egoísmo para o mundo todo.

Mas, e quanto aos cristãos? É aqui que entra o excelente livro de Ed Shaw. Esse livro possui dois títulos diferentes. Quando eu o comprei, o título era The Plausibility Problem: The Church and Same-Sex Attraction [O problema da plausibilidade: A igreja e a atração de pessoas pelo mesmo sexo]. Quando o vi no site da Amazon hoje, ele estava listado como Same-Sex Attraction and the Church: The Surprising Plausibility of the Celibate Life [A atração por pessoas do mesmo sexo e a igreja: A plausibilidade do celibato]. Se compreendo corretamente, o primeiro título é dirigido a um público europeu enquanto o segundo é dirigido a um público norte-americano e, entre esses dois títulos, eles fornecem uma boa ideia do que se trata.

Ed Shaw é pastor no Reino Unido e é alguém que sempre sentiu atração por pessoas do mesmo sexo. Ele não quer isso e tentou não querer, mas, no fim, simplesmente sente atração romântica e sexual por homens. Ainda assim, ele compreende que a Bíblia o proíbe de colocar seus desejos em prática. Embora seus amigos, sua família e o mundo à sua volta digam para que vá em frente e satisfaça os seus desejos, ele permanece inteiramente comprometido com aquilo que a Bíblia diz sobre o sexo e o casamento serem entre um marido e uma esposa. Ele compreende que a “vida de plenitude” que Jesus oferece deve servir para ele também, mesmo que seja uma vida de autonegação de um modo tão fundamental.

Ele acredita que nós, como cristãos, temos um problema de plausibilidade quando se trata de pessoas que sentem atração pelo mesmo sexo. Não oferecemos uma alternativa plausível à mensagem que a sociedade nos apresenta sobre a homossexualidade. Os brados do lado de fora da igreja são fortes, poderosos e prometem libertação. Eles nos dizem que a plenitude pode vir apenas por meio da aceitação e da indulgência. Muitos que professam a Cristo estão agora dizendo a mesmíssima coisa. A igreja, por outro lado – a igreja comprometida com a autoridade da Palavra de Deus –, oferece respostas que parecem muito menos convincentes. Mas isso se dá simplesmente porque não compreendemos e não aceitamos completamente o que Cristo oferece àqueles que lutam com essa questão.

O cerne do livro de Ed Shaw é uma série de 9 equívocos que os cristãos e as igrejas cometem ao considerar a questão da homossexualidade e ao aceitarem e ministrarem a cristãos que sentem atração por pessoas do mesmo sexo. Aqui estão os 9 equívocos:

  1. Sua identidade é sua sexualidade;
  2. Uma família é mãe, pai e 2 a 4 filhos;
  3. Se você nasceu gay, não pode estar errado ser gay;
  4. Se isso faz você feliz, então deve estar certo;
  5. É no sexo que encontramos a verdadeira intimidade;
  6. Homens e mulheres são iguais e permutáveis;
  7. Santidade é heterossexualidade;
  8. O celibato é ruim para você;
  9. O sofrimento deve ser evitado.

Como podem ver, alguns desses equívocos estão especificamente relacionados à homossexualidade, enquanto outros são muito mais gerais e aplicáveis a todos nós. Deixe-me mostrar como o segundo equívoco se encaixa no exemplo desse último caso. O segundo equívoco que Shaw identifica é a ênfase que estabelecemos sobre a absoluta centralidade do núcleo familiar. É claro que é bom enfatizar a família e pedir que os pais construam famílias fortes. Contudo, como afirma Shaw, “Uma das mudanças mais radicais entre os dois testamentos foi o fato de a família biológica passar a ter importância bem menor do que no passado. No Antigo Testamento, ter esposa e filhos era visto como um sinal das bênçãos de Deus (veja Salmos 128). No Novo Testamento, fica evidente a ênfase no crescimento da igreja e não da família biológica. Suas duas principais figuras, Jesus e Paulo, eram ambos solteiros.”

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Com a nossa ênfase sobre a família, podemos inadvertidamente minimizar o novo tipo de relacionamento familiar que Deus deseja que compreendamos e busquemos. “Involuntariamente, damos a impressão de que a igreja é formada por famílias biológicas e que, se você não fizer parte de um desses módulos convenientemente formados, não irá jamais se encaixar”. Precisamos nos certificar de que damos igual ênfase sobre esse novo tipo de família que Deus está construindo, ou seja, a família de cristãos que podem não compartilhar de qualquer relação biológica. Isto, então, provê uma família àqueles que talvez nunca possam ter a sua própria família. “Quando a igreja é como uma família, posso lidar com tudo sem ter um parceiro ou filhos. Meus momentos de maior sofrimento ocorreram quando isso não funcionou. Os cristãos de meu conhecimento que sentem atração pelo mesmo sexo e que mais sofrem são aqueles que frequentam igrejas que ainda não entenderam isso, as quais nem reparam nessas pessoas.” Naturalmente, há uma aplicação:

“Você tem o desejo de tornar mais razoáveis os ensinamentos bíblicos sobre a homossexualidade? Deseja atacar o problema da plausibilidade? Então comece a praticar a realidade cristã de que família é sinônimo de igreja, independente das circunstâncias em que Deus o colocou. Reconheça o equívoco representado pelo conceito de que família é igual a uma mãe, um pai e 2 a 4 filhos. Isso ajudará os outros (e você) mais do que você imagina.”

O fato é que a atração por pessoas do mesmo sexo não é um problema que precisa ser resolvido somente por aqueles que a vivenciam. Não, é um problema para todos nós abordarmos como igreja.

O livro de Ed Shaw é simplesmente a obra mais recente entre vários excelentes títulos que instigam os cristãos a melhor compreenderem e servirem aqueles que sentem atração por pessoas do mesmo sexo. De maneira útil, a obra identifica preocupações específicas e mostra como a Bíblia nos chama para conhecê-las da maneira de Deus. Ela faz tudo isso com uma firme fundamentação na Escritura, sem comprometer um centímetro dela. Recomendo fortemente o livro.

Traduzido por Jonathan Silveira.

Texto original: The Plausibility Problem. Tim Challies.

Tim Challies é pastor da igreja Grace Fellowship, em Toronto, no Canadá, editor do site de resenhas Discerning Reader e cofundador da Cruciform Press. Casado com Aileen e pai de três filhos, ele também é blogueiro, web designer e autor de várias obras.
Na lista de melhores livros de 2015 do Gospel Coalition e do ProdigalThought.net

Não há nenhum problema em afirmar que a Bíblia é clara quando fala da homossexualidade. Mas é possível dizer que ela é realista? A Bíblia não é, ao contrário, injusta e irrealista com os que lutam nessa área? Não os condena à solidão, a uma vida sem realização e à perda de satisfações básicas como sexo e casamento? O que a igreja ensina é um modo plausível de vida?

Ed Shaw sente atração por pessoas do mesmo sexo. Ainda assim, é comprometido com o que a Bíblia afirma e a igreja sempre ensinou sobre casamento e sexo. Neste livro autêntico, ele compartilha a dor que tem de enfrentar ao lidar com essas questões. Ao mesmo tempo, porém, mostra que a obediência a Jesus Cristo é, em última análise, o único meio de experimentar a vida plena. O celibato, como afirma o autor, apresenta-se como um modo de vida plausível, e precisamos nos arrepender de ocultar esse fato. É necessário que haja mais e mais vidas que demonstrem sua plausibilidade hoje em dia, não apenas para benefício de cristãos que sentem atração pelo mesmo sexo, mas também de toda a igreja.

Publicado por Edições Vida Nova.

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