A Bíblia, o ISIS e a perseguição aos cristãos | Flávio Ramos

Nos últimos dias, o mundo ficou chocado diante do cruel assassinato de vinte e um cristãos Egípcios, na Líbia. Nossos irmãos foram decapitados violentamente pelos ISIS (Estado Islâmico de Iraque e Levante).

Por toda a semana, houve uma grande mobilização nas redes sociais, repugnando o acontecimento. Milhares de postagens no Facebook despertaram interesse e revolta de muitos.

Minha intenção não é escrever sobre ISIS ou mesmo tentar analisar a situação tensa que está acontecendo no Oriente Médio e África. Como a maioria das pessoas que estarão lendo este texto são cristãs, me concentrarei em relembrá-las de algumas porções das Escrituras que possam nos encorajar, consolar e edificar.

Desde o último ocorrido na Líbia, três textos vêm chamando minha atenção de maneira mais frequente. Permita-me compartilhá-los brevemente com você.

O primeiro texto é Atos 9.4,5:

“Saulo, Saulo, por que me persegues? Quem és tu Senhor? Eu sou Jesus, a quem tu persegues.”

A igreja sempre teve – e sempre terá – cruéis perseguidores. Fica evidente no texto que quando alguém persegue o povo de Deus por causa do evangelho, está perseguindo o próprio Jesus. Perceba o pronome “me persegues” (Jesus falando). Saulo pensava que estava perseguindo pessoas da comunidade cristã, mas, na verdade, ele estava perseguindo o próprio Senhor Jesus.

O segundo texto é João 15.18-21:

“Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: ‘Não é o servo maior do que seu Senhor. Se perseguiram a mim, também perseguirão a vós’.”

Algo que às vezes nos esquecemos é de que o mundo odeia o Senhor Jesus Cristo. Por mais que as pessoas tenham alguma “admiração” por Jesus (o próprio islã exalta Jesus como profeta), por mais que os secularistas e ateus usem um pingente da cruz (moda), a verdade é que seus corações estão em rebeldia e ódio contra o carpinteiro de Belém.

O mundo odeia os discípulos de Jesus porque odeiam primeiramente o nosso mestre. A única maneira de não sermos odiados pelo mundo, é viver como o mundo vive. Pensar como eles pensam e agir como o sistema age. Se você não quer ser odiado pelo mundo, seja parte do mundo. Mas se você está no mundo e não pertence a ele, logo, sereis odiados (2Tm 3.12).

O ISIS só odeia os cristãos porque odeiam Jesus e suas palavras. Se o nosso mestre estivesse na Líbia naquele momento, ele seria o primeiro a ser decapitado. Não há evangelho sem identificação com o Senhor do evangelho!

O terceiro texto é 1Pedro 4.12-16:

“Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo.”

A palavra do apóstolo Pedro é que os amados irmãos não deveriam estranhar quando a perseguição ou sofrimento chegassem. Isto é algo normal na vida dos discípulos de Jesus. Não há motivo de espanto como se algo excepcional (extra) estivesse acontecendo. A perseguição, o martírio e o sofrimento por causa do evangelho é algo rotineiro e normal na visão das Escrituras. Está escrito: “Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro” (Rm 8.36).

Talvez você argumente, dizendo: “Tudo bem que isso acontecia nos primeiros séculos, mas hoje no século XXI?”. Perseguição, martírio e sofrimento por causa do evangelho são coisas dos primeiros séculos, do século atual e será nos séculos vindouros. Não se engane! Anos virão e o povo da cruz ainda continuará sendo perseguido por amor a Ele.

Não é nada confortável ver nossos irmãos morrendo cruelmente em tempo real. Entretanto, segundo o patrão das Escrituras, seria imensamente pior assistir o povo da cruz padecendo como homicida, malfeitor ou negando sua fé (v.15). Prefiro ver meus irmãos morrendo fielmente ao Senhor Jesus com as seguintes palavras em seus lábios: “Oh, Senhor Jesus” (Ya Rab Iessua), do que como apóstatas. (Obrigado ISIS por não cortar o áudio da fala de nossos irmãos).

Qual é nossa tarefa aqui no Brasil?

– Orar constantemente pela pequena e fiel igreja de Jesus no Oriente Médio e Norte da África. Não é fácil ser discípulo de Jesus num contexto de intolerância religiosa e de grande violência. Vamos orar pelas famílias que perderam seus pais, filhos, irmãos.

– Vamos cuidar do nosso coração. Que o Senhor nos livre de qualquer ódio e rixa contra árabes e muçulmanos. Esses acontecimentos tendem a gerar ódio e rejeição, mas é hora de amá-los e, principalmente, de compartilhar o evangelho.

– Por favor, não fique indiferente. Por mais que essas coisas não estejam acontecendo aqui perto de nós, por mais que você não seja perseguido por causa de sua fé, não deixe o seu dia-a-dia, os afazeres, roubar a bênção de participar do sofrimento do Corpo de Cristo. Não se torne insensível. São nossos irmãos que estão morrendo. É o povo da cruz como eu e você.

– Os muçulmanos continuam sendo o povo menos alcançado pelo evangelho. Por que será? Eles são tão resistentes assim? Será que o evangelho é o poder de Deus para transformação de todos, menos dos muçulmanos? Não!

Não é verdade que os muçulmanos rejeitam o evangelho. Talvez você não saiba mas, nos últimos quinze anos, mais muçulmanos se tornaram discípulos de Jesus do que nos últimos cem anos de trabalho missionários entre eles. Estamos experimentando uma grande colheita. Muitos muçulmanos não rejeitam o evangelho, mas milhares deles ainda nem ouviram pela primeira vez a mensagem louca da cruz.

Se você também é da nação da cruz, ame cada muçulmano de perto ou de longe, testemunhe do amor de Cristo a eles e apoie aqueles que estão indo aos lugares mais remotos servindo ao cordeiro para que cada muçulmano conheça a mensagem da Cruz.

Flávio é casado com Carla e pai da Victoria. É fundador e presidente executivo da MEAB (Missão Evangélica Árabe do Brasil), onde trabalha com mobilização missionária, despertando igrejas e vocacionados para o mundo muçulmano, além de treinar novos missionários que irão para Oriente Médio e Norte da África.