Jesus é o único caminho para Deus? – A singularidade de Cristo na cultura pós-moderna | Jonathan Silveira

Vivemos em um ambiente hostil à verdade absoluta e tal hostilidade é perpetrada principalmente no campo da ética e da religião. Se adotamos certos posicionamentos morais conservadores ou se acreditamos na exclusividade de uma determinada religião, somos taxados de intolerantes, obscurantistas e opressores. Vivemos em um ambiente cultural que fomenta o relativismo e que se insurge contra o caráter absoluto da verdade.

Segundo o espírito de nossa época, cada pessoa tem o direito de ser feliz à sua própria maneira: sou o capitão da minha alma, sou o senhor do meu próprio destino. A verdade deixou de ser objetiva e verificável e tornou-se subjetiva, sujeita aos gostos e preferências pessoais. Se sinto que é verdade, é verdade.

Quando falamos de espiritualidade, a lógica é a mesma. Não existe uma religião correta. Todos os caminhos levam a Deus. O critério para se avaliar a validade de uma determinada religião ou espiritualidade é meramente o critério interno de satisfação pessoal. Uma avaliação mais judiciosa e objetiva a respeito das crenças de determinada religião é vista com maus olhos.

Em uma época tão subjetivista, hedonista e pluralista, por que deveríamos acreditar que Jesus Cristo é especial? Por que deveríamos acreditar que Jesus é exclusivo? Por que deveríamos acreditar que o cristianismo é verdadeiro e todas as outras religiões são falsas? Jesus não seria apenas mais um deus entre os outros deuses?

Há pelo menos dois motivos para acreditarmos na singularidade de Jesus Cristo: 1. Jesus nos confere sentido e significado e 2. Jesus nos redime. Vejamos.

1. Precisamos de sentido: O homem e o anseio pelo eterno

A canção I Still Haven’t Found What I’m Looking For (“Eu ainda não encontrei o que estou procurando”), da banda U2, diz:

“Eu escalei as mais altas montanhas

Eu corri através dos campos

Apenas para estar com você

Eu corri, eu rastejei

Eu escalei estes muros da cidade

Apenas para estar com você

Mas eu ainda não encontrei o que estou procurando

Eu falei na língua dos anjos

Eu segurei na mão do demônio

Mas eu ainda não encontrei o que estou procurando”

Essas palavras retratam bem o anseio e a angústia que o homem tem por algo que deseja, mas não sabe exatamente o que é. O homem é um ser miserável que sabe que deseja, mas não sabe o que deseja. Temos fome, mas não sabemos de quê. Existe algo em nossa natureza que nos impele a buscar algo que nos faça felizes. A pós-modernidade dogmatizou os sentimentos e os tornou critério supremo (que ironia) na busca da felicidade. Você sente que precisa se casar para ser feliz? Case-se. Você sente que precisa de um carro esporte conversível para ser feliz? Compre. Você sente que precisa de um diploma universitário e de uma carreira bem-sucedida para ser feliz? Busque isto. E assim por diante. A gama de anseios humanos é infinita.

Qual é o problema com essa maneira de enxergar o mundo? O problema fundamental é que os sentimentos são enganosos. Existem pessoas bem estranhas que sentem e desejam coisas bem estranhas. Criminosos, por exemplo, fazem o que fazem para se sentirem bem. Se Deus não existe e se cada pessoa é senhor de seu próprio destino, quem somos nós para julgarmos as escolhas do outro?

Além disso, o bem que ansiamos gera apenas uma satisfação momentânea. Aquele carro, aquela casa, aquele diploma, aquela carreira, aquele relacionamento amoroso que você conquistou trará alegria, mas essa alegria é passageira. Basta que se passem algumas semanas ou alguns meses e aquilo que você tanto ansiou e conquistou já não tem o mesmo brilho. Passamos, então, a desejar outras coisas e a tecer planos para conquistá-las.

Jim Carrey, ator hollywoodiano, disse certa vez em um discurso:

“Eu sempre disse que gostaria que as pessoas pudessem realizar todos os seus sonhos de riqueza e fama para que elas pudessem ver que esse não é o lugar onde vão encontrar o sentido da vida.”

Somos insaciáveis. Nunca estamos plenamente satisfeitos porque não sabemos o que nos satisfaz plenamente. Somos seres finitos que têm anseios infinitos. Como lidamos, então, com nossos anseios?

Poderíamos, em primeiro lugar, tentar suprimi-los. Neste caso, diríamos que a felicidade se encontra na supressão de nossos anseios. Viver desta maneira, porém, seria um tanto quanto cínico. Por quê? Porque se esses desejos existem e nos suplantam, suprimi-los por completo talvez seja impossível. A luta pela supressão de nossos desejos perduraria por toda a vida. Passaríamos a vida toda buscando um estado de abnegação sem que realmente o alcançássemos. Filosofias ligadas ao estoicismo e espiritualidades orientais como o budismo seguem esse estilo de vida.

No entanto, talvez o melhor caminho não seja a supressão, mas sim um redirecionamento, um reajustamento de nossos anseios, de nossos afetos. Mas, um reajustamento para o quê? Para onde nossos corações devem ser redirecionados? Seria um engano pensar que qualquer coisa deste mundo é capaz de nos satisfazer plenamente. A natureza de nosso mundo finito não permite isso.

Mas, se não somos capazes de encontrar um bem neste mundo que sacie nossa sede e que mate a nossa fome, a explicação mais provável é que essa sede e essa fome sejam de ordem imaterial, que esteja além de nós mesmos, e que, portanto, somente algo eterno, infinito, possa satisfazer.

Podemos dizer, com certeza, que a fome e a sede que temos é por Deus. Temos um vazio infinito do tamanho de Deus. Somente Ele pode preencher esse vazio. Nosso Criador não nos fez para vivermos de maneira autônoma. Ele nos fez para que possamos desfrutar de um relacionamento amoroso com Ele e, assim, alcançarmos sentido e felicidade. Por mais que não tenhamos consciência disto, somos seres litúrgicos e nossos anseios devem ser redirecionados a Deus, o único que deve ser objeto de nossos afetos.

O evangelho de João nos conta que Jesus, certa vez, encontrou uma mulher próxima a um poço e lhe pediu um pouco de água. Essa mulher já havia tido cinco maridos, cinco relacionamentos que não haviam dado certo. Jesus sabia que essa mulher era infeliz. Ele, então, lhe diz:

“Se conhecesses o dom de Deus e quem é o que te diz: ‘Dá-me um pouco de água’, tu lhe pedirias e ele te daria água viva. […] Quem beber desta água [do poço] voltará a ter sede; mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede, pelo contrário, a água que lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna.” (João 4.10, 13-14).

Os prazeres que desfrutamos, ou seja, a água que bebemos neste mundo, trazem felicidade passageira e nos fazem ter sede novamente. Mas Jesus é singular porque ele é a fonte de água viva. É ele quem nos satisfaz plenamente e nos dá vida eterna porque ele é Deus. Nossa fome e nossa sede são satisfeitas em Jesus.

2. Precisamos de redenção: A religião da autoestima

A maior evidência dessa fome insaciável existente no homem, dessa busca por um sentido, é revelada pela busca espiritual pós-moderna, que é traduzida em um sincretismo religioso combinado com um excesso de autoestima. O homem pós-moderno é um místico. Ele é um amante dos astros, dos cristais, dos búzios, dos orixás, consulta diariamente a sorte de seu signo, tem um filtro de sonhos pendurado no retrovisor de seu carro, uma pequena estátua de Buda em casa que fica ao lado de seus livros de autoajuda, como “O Segredo”, tem uma camiseta com a frase “Carpe Diem” e dá pulinhos nas ondas do mar no Réveillon.

A pós-modernidade não está preocupada com a verdade acerca de cada uma dessas atividades místicas e espirituais. Todas elas são verdadeiras ao mesmo tempo e podemos simplesmente combiná-las ao nosso próprio gosto.

O problema, porém, com esse sincretismo religioso é que ele não leva a sério o principal elemento que deveria ser considerado na busca de uma espiritualidade, qual seja, o problema do pecado. Nossa época tratou de eliminar a palavra “pecado” de seu vocabulário espiritual. Quando muito, a palavra “pecado” é apenas utilizada para expressar a violação de uma regra de etiqueta: “É um pecado você usar esse vestido tão chique em uma festa tão indigna” ou “É um pecado deixar de comer essa torta”.

No entanto, a ideia de pecado como ato de rebelião contra Deus e sua lei se perdeu. Pecado nesse sentido, segundo afirmam, é uma ideia inventada pela igreja e pelo cristianismo para ser usada como ferramenta de opressão, para nos inibir de fazermos aquilo que nos dá prazer. Aquilo que o cristianismo entende por pecado seriam apenas comportamentos inevitáveis inerentes à nossa própria natureza.

A ideia de que existe um mal que habita a natureza humana, portanto, foi rejeitada para dar lugar a uma antropologia demasiadamente positiva. O eu interior passou a ser visto como algo puro e iluminado. Ao invés de olharmos para dentro de nós, nos desesperarmos e buscarmos ajuda externa, fizemos justamente o contrário, ou seja, desprezamos o transcendente e divinizamos o imanente. A espiritualidade pós-moderna está embriagada em autoestima. Acredita-se que o homem é bom e que o pecado é uma ilusão. Poderíamos, no máximo, condenar umas poucas pessoas como Hitler e Stalin, mas, no geral, a humanidade é boa. O mal pode estar nas estruturas da sociedade, mas não no interior do homem. E se o pecado é uma ilusão, por que precisaríamos de um salvador? Em outras palavras, por que precisaríamos de Cristo? Quanto mais elevada for a nossa visão sobre o homem, menos elevada será a nossa visão sobre Cristo.

No entanto, uma religião que nega a realidade do pecado é uma religião terapêutica, que serve apenas para o culto do eu, que vive embriagada em amor próprio e que foge da responsabilidade moral. O psicólogo Orval Hobart Mowrer disse uma vez:

“Por muitas décadas, nós, psicólogos, consideramos toda a questão relacionada ao pecado e à responsabilização moral como um grande íncubo e aclamamos nossa libertação como forma de marcar uma nova era. Mas temos descoberto de maneira muito clara que estar livre em tal sentido, ou seja, de ter a desculpa de estar doente e não ser pecaminoso, é correr o perigo de também se perder. Ao nos tornarmos amorais, eticamente neutros e livres, cortamos as próprias raízes de nosso ser, perdemos nossos sentidos mais profundos de individualidade e identidade e, assim como neuróticos, nos vemos indagando: Quem sou eu? Qual é o meu fim maior? O que significa viver?” (“Sin, the Lesser of Two Evils”, American Psychologist, 15, 1960. p. 301-304)

Percebem o que Orval está dizendo? Viver uma vida conforme nossas próprias regras, acreditando que o pecado é uma ilusão, é literalmente cortar as raízes do nosso ser e perder a nossa própria identidade que está ligada a Deus.

Oscar Wilde escreveu um famoso romance intitulado de “O Retrato de Dorian Gray”. Na história, um jovem chamado Dorian Gray tem o seu retrato pintado por um artista que se encanta com a beleza do rapaz. Dorian, porém, conhece um aristocrata chamado Lorde Henry que vive uma vida hedonista, dada aos prazeres mundanos. Em um diálogo com Dorian, Lorde Henry diz:

“Somos castigados por nossas recusas. Todo impulso que nos esforçamos por estrangular remói em nossa mente e nos envenena. O corpo peca uma vez, e se livra do pecado, pois a ação é um modo de purificação. E, então, nada permanece: apenas a lembrança do prazer, ou a luxúria de um remorso. A única maneira de nos livrarmos de uma tentação é capitularmos a ela. Resista, e a alma adoecerá, na saudade das coisas que proibiu a si mesma, no desejo por aquilo que suas leis monstruosas tornaram monstruoso, ilegal. Tem-se dito que os grandes eventos no mundo ocorrem no cérebro. É no cérebro, apenas no cérebro, que ocorrem, também os grandes pecados do mundo” (“O retrato de Dorian Gray”. Clássico Abril Coleções. p. 34).

Dorian, então, se convence de que o pecado é uma invenção e que a beleza e a satisfação sensual são as únicas coisas dignas de serem buscadas. Dorian, porém, sabe que sua beleza um dia irá desaparecer e, assim, manifesta o desejo de vender sua alma para garantir que aquele seu retrato envelheça em seu lugar. E o desejo lhe é concedido. Assim, ele passa a viver uma vida libertina repleta de prazeres amorais. No entanto, enquanto ele se esbalda em libertinagem, seu retrato envelhece e começa a registrar todas as coisas ruins que o corrompem na alma. Quando Dorian vai conferir o retrato, ele já não vê aquele mesmo jovem cheio de vigor e alegre, mas sim um monstro. Para o assombro de Dorian, ele percebe que aquela pintura havia se tornado o retrato de sua alma.

O pecado é um ato de reivindicação de autonomia, de autossuficiência. Não fomos feitos para ser autossuficientes, fomos feitos para nos satisfazer em Deus. Quando vivemos segundo nossos próprios desejos, nos tornamos menos humanos, e não mais humanos, porque nos afastamos de Deus. Por isso, o pecado não é simplesmente um mal-estar psicológico que se resolve com uma terapia. É um ato de rebelião contra a santidade de Deus! E é por isso que ele mancha, definha nossa alma, nos desumaniza.

Malcom Muggeridge uma vez disse que “a depravação do homem é o fato mais empiricamente verificável e, ainda assim, o mais intelectualmente resistido”. Isto é a mais pura verdade. Basta olharmos para a humanidade e para o nosso planeta e iremos facilmente constatar que há algo de errado com a realidade. Somos gananciosos, orgulhosos, egoístas, preguiçosos, libertinos, mentirosos, assassinos etc. Isso se chama pecado e temos uma inclinação muito forte para a prática dele. Como lembra Dinesh D’Souza, o próprio Charles Darwin tinha consciência disso ao afirmar que o homem está mais próximo dos animais do que dos anjos.

Temos, então, um problema. Temos padrões morais altos, mas sempre ficamos abaixo deles. Não conseguimos fazer sempre o bem que desejamos. C. S. Lewis uma vez disse que nunca sabemos o quanto somos maus até termos realmente nos esforçado para fazer o bem. Somente quando conseguimos praticar o bem é que temos dimensão de como temos sido maus em outras ocasiões e como não conseguimos atingir o padrão moral de justiça que está acima de nós e lutamos para obedecer.

Se não conseguimos sempre fazer o bem que desejamos, se somos maus, como poderíamos dizer que não precisamos de redenção? E mais: como nós, nessa condição, podemos nos relacionar com um Deus que é completamente santo e puro? Precisamos ser resgatados de nossa miséria, de nosso pecado, a fim de que possamos ser reconciliados com Deus. E aqui, mais uma vez, Jesus é a resposta para esse problema. Como não conseguimos alcançar o padrão de Deus, Deus desceu até nós. Cristo, o Deus encarnado, veio até nós para nos oferecer salvação.

Deus enviou seu Filho, Jesus Cristo, perfeito e sem pecados, para morrer em nosso lugar e satisfazer a justiça de Deus. Por meio do sacrifício de Cristo, é possível obter perdão por nossos pecados e sermos reconciliados com Deus. O evangelho de João diz:

“Porque Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16).

O apóstolo Paulo, em sua carta aos Romanos, escreve:

“Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus ofereceu como sacrifício propiciatório, por meio da fé, pelo seu sangue, para demonstração da sua justiça” (Romanos 3.23-25).

Jesus Cristo é a resposta para as nossas mazelas. Somente ele é capaz de nos oferecer redenção e nos trazer paz com Deus.

3. O Verbo se fez carne: Jesus entre outros deuses

Jesus, então, satisfaz a nossa sede pelo eterno e nos redime. Mas o que dizer de outros sistemas religiosos? Qual o problema em dizermos que todos os caminhos levam a Deus e que Jesus é apenas mais um caminho?

A visão de que todos os caminhos levam a Deus pode soar muito tolerante e polida em um primeiro momento. No entanto, é uma visão prepotente. Por quê? Porque ao tentar relativizar a verdade, ela acaba recorrendo a uma verdade absoluta, pois afirma que todos os que acreditam que todos os caminhos levam a Deus estão certos e aqueles que acreditam que somente uma religião é correta estão errados. Assim, não se escapa de uma verdade absoluta.

Além disso, é simplesmente irracional afirmar que todas as religiões são verdadeiras, pois elas fazem declarações que são mutuamente contraditórias. O cristianismo afirma que Jesus morreu e ressuscitou, o judaísmo afirma que Jesus morreu e não ressuscitou e o islamismo afirma que Jesus não morreu. Como é possível conciliar essas três afirmações? É simplesmente impossível. Portanto, as religiões de fato fazem declarações singulares. O cristianismo faz declarações exclusivas que se contradizem as de outras religiões. Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém chega ao Pai a não ser por mim” (João 14.6). Esta é uma declaração exclusiva. Jesus está dizendo que não existem outros caminhos para se chegar a Deus. Somente ele é o caminho. Somente ele é a verdade. Somente ele é a vida.

O apóstolo João escreve: “Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por meio dele. Quem nele crê não é condenado; mas quem não crê, já está condenado, pois não crê no nome do Filho unigênito de Deus” (João 3.17-18).

O apóstolo Pedro, por sua vez, também afirmou que “não há salvação em nenhum outro, pois debaixo do céu não há outro nome entre os homens pelo qual devemos ser salvos” (Atos 4.12).

O cristianismo afirma que não há salvação fora de Jesus Cristo. Por consequência, sendo essa declaração irreconciliável, acreditamos que o cristianismo é a verdade absoluta e que as demais religiões são falsas.

Mas o que faz Jesus ser tão especial assim? A grande maioria das religiões compartilha de um sistema moral similar. Todas elas, por exemplo, afirmam a regra de ouro, qual seja, que cada um deve tratar o outro como gostaria de ser tratado. No entanto, quando se trata da maneira de se chegar a Deus e obter salvação, podemos dizer, com segurança, que todas as religiões submetem o homem a um tipo de avaliação baseada em esforços morais. Só podemos nos chegar a Deus por meio de nossos méritos e conquistas humanas. Como isso funciona? Para se valer das analogias de John Lennox, é como se você fosse ingressar em uma universidade incrivelmente renomada e, para ingressar nela, tivesse que tirar a melhor nota possível no exame de admissão. Você precisaria fazer um esforço hercúleo para ser aprovado e nem teria tanta certeza se obteria sucesso. Ou, então, seria como se você conhecesse uma moça atraente e desejasse se casar com ela. No entanto, antes disso acontecer, você entrega a ela um livro enorme de receitas e diz: “Estou lhe dando este livro para que você aprenda a cozinhar e faça todas essas receitas com perfeição. Quando você for capaz de fazer isto, talvez eu me case com você”. Percebe como isso é estranho? Tal postura é um grande insulto.

O cristianismo, no entanto, não se baseia em méritos humanos. Ele se baseia única e tão somente nos méritos de Jesus Cristo. Nossa salvação se dá pela graça, nossa aproximação de Deus se dá por meio de Cristo, porque ele nos redimiu de nossos pecados. Não preciso fazer nada para ser aceito por Deus porque já sou aceito por ele por causa daquilo que Cristo fez por mim.

Deus nos declarou justos ao enviar seu único Filho para morrer por nossos pecados e ressuscitar ao terceiro dia. O próprio Deus se fez carne e viveu uma vida perfeita, sem pecado, e se sacrificou em uma cruz por nós para que a justiça de Deus fosse satisfeita. Por causa dos méritos de Cristo, fomos justificados e reconciliados com Deus. Nós merecíamos a morte e a condenação por causa de nossa rebelião com Deus, “mas Deus, que é rico em misericórdia, pelo imenso amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos pecados, nos deu vida juntamente com Cristo (pela graça somos salvos)” (Efésios 2.4-5). E somos salvos por meio da fé, e isto não vem de nós mesmos, é dom de Deus. Não vem de obras para que ninguém se orgulhe (Efésios 2.8-9).

Deus se fez homem para que os homens pudessem se tornar filhos de Deus, como lembra C. S. Lewis. Nenhuma religião afirma algo tão singular. No islã, afirmar que Deus pode se tornar homem é a maior blasfêmia que se pode cometer. No entanto, o cristianismo afirma justamente isso: que o Verbo se fez carne, que Deus se tornou homem. Não temos, então, um Deus impessoal, distante, alheio às nossas angústias existenciais. Temos um Deus que nos conhece profundamente, mais do que a nós mesmos e nos ama tanto que deu seu próprio Filho Jesus Cristo em sacrifício para nos salvar. É apenas por intermédio de Cristo que temos acesso a Deus. Que amor grandioso! Ele nos amou primeiro. Como podemos negligenciar tão grande salvação?

Cristo é singular entre os outros deuses. Os demais deuses exigem de nós esforços, sacrifícios e uma vida inteira dedicada ao ascetismo, à prática de comportamentos a fim de se obter algum tipo de redenção final. Jesus, porém, já pagou esse preço por nós. Não há nada que possamos fazer para pagar o que ele fez. A única coisa que podemos fazer é amarmos de volta.

Cristo é a sua esperança. Nossa vida não se limita a este mundo físico. Há uma eternidade após a morte nos aguardando. E, como diz a célebre frase do filme “Gladiador”, “o que fazemos em vida ecoa na eternidade”. Você tem certeza de que se deixar este mundo hoje você passará a eternidade com Deus? Cristo é aquele que dá vida eterna com Deus.

Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê e mim, mesmo que morra, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, jamais morrerá” (João 11.25).

Nossa vida passa nesta terra como uma fumaça que logo desaparece. Isto suscita a seguinte pergunta: “Você tem vivido uma vida cheia de sentido, de significado? Você tem vivido uma vida livre da culpa do pecado?”. Cristo está de braços abertos a você e lhe oferece uma nova vida. Uma vida repleta de paz com Deus. Essa é uma oferta que não podemos ignorar.

Jonathan Silveira é graduado em Direito pela Universidade São Francisco e mestre em Teologia pelo programa Master of Divinity da Escola de Pastores da Primeira Igreja Batista de Atibaia. É membro na Igreja Batista da Palavra, em São Paulo, trabalha na área de produção editorial e marketing em Edições Vida Nova e é fundador e editor do site Tuporém.