15 citações do livro “O profeta pródigo” que você não pode deixar de ler

Tim Keller é, sem dúvidas, um dos grandes pensadores do cristianismo de nossos dias. Autor prolífico, suas obras têm sido publicadas no Brasil por Edições Vida Nova, a qual acaba de disponibilizar O profeta pródigo: Jonas e o mistério da misericórdia de Deus. Nessa obra, Keller revela as camadas escondidas do livro de Jonas e mostra que, apesar de o protagonista dessa história ter sido um dos piores profetas de toda a Bíblia, ele tem muito em comum com a Parábola do Filho Pródigo e com o próprio Jesus, o qual vê muitas semelhanças entre si e o “profeta pródigo”. Confira alguns insights extraídos da obra:

Sobre o livro de Jonas

“O livro de Jonas transmite muitas percepções sobre o amor de Deus por sociedades e pessoas não pertencentes à comunidade de crentes; sobre sua oposição ao nacionalismo tóxico e ao desprezo por outras raças; e sobre como estar ‘em missão’ no mundo, a despeito do poder sutil e inevitável da idolatria que trazemos em nosso coração e vida. Compreender essas percepções pode nos transformar em pessoas que constroem pontes, que são pacificadoras e agentes de reconciliação no mundo. É dessas pessoas que o mundo precisa hoje.” (pp. 14-15).

O pecado e seus efeitos

“O pecado é um ato suicida que a vontade comete sobre si mesma. É como tomar uma droga viciante. No começo, pode parecer maravilhoso, todavia, a cada vez que se toma, fica mais difícil não tomar novamente. Eis aqui um simples exemplo. Quando você se entrega a pensamentos amargos, é muito gratificante fantasiar sobre uma vingança. Contudo, de modo vagaroso e certo, isso ampliará sua capacidade de sentir pena de si mesmo, corroerá sua capacidade de confiar nos outros e de desfrutar de relacionamentos e, em geral, drenará toda a felicidade de sua vida cotidiana. O pecado sempre endurece a consciência, aprisiona a pessoa em sua própria masmorra de defensivas e racionalizações e a consome lentamente por dentro.” (pp. 31-32).

Cristianismo e bem comum

“Jonas fugiu porque não queria trabalhar pelo bem dos pagãos — queria servir exclusivamente aos interesses dos crentes. Mas o Senhor lhe mostra que é o Deus de todas as pessoas, e Jonas precisa ver a si mesmo como parte da comunidade humana inteira, e não apenas como membro de uma comunidade de fé.” (p. 42).

“O mundo não verá quem é o nosso Senhor se não vivermos como deveríamos. Como diz certo livro, somos: ‘A igreja diante dos olhos observadores do mundo’. E merecemos a crítica do mundo se, como igreja, não demonstrarmos amor visível por meio de ações práticas. Assim, o capitão tinha todo o direito de repreender um crente [Jonas] que permanecia alheio aos problemas das pessoas ao seu redor e não fazia nada por elas.” (p. 43).

Graça comum

“A graça comum significa que os incrédulos frequentemente agem de forma mais justa do que os crentes, apesar de sua falta de fé; enquanto os crentes, tomados pelo pecado remanescente, frequentemente agem de forma muito pior do que a crença correta que eles têm em Deus nos levaria a esperar. Tudo isso significa que os cristãos devem ser humildes e respeitosos para com aqueles que não compartilham sua fé. Eles devem apreciar as obras praticadas por todas as pessoas, com a consciência de que os incrédulos têm muitas coisas a lhes ensinar.” (p. 45).

Pregação e justiça social

“Raramente vemos ministérios que sejam igualmente comprometidos em pregar a Palavra de forma destemida e em fazer justiça e cuidar dos pobres, ainda que essas questões sejam teologicamente inseparáveis. […] Trabalhar contra a injustiça social e chamar pessoas ao arrependimento perante Deus são coisas teologicamente interligadas. […] Em seu grandioso discurso ‘Eu tenho um sonho’, Martin Luther King não apelou para o individualismo secular moderno. Ele não disse: ‘Todos devem ser livres para definir seu próprio significado para a vida e para a verdade moral’. Pelo contrário, ele citou a Escritura e conclamou sua sociedade a deixar que ‘corra a retidão [de Deus] como um rio, a justiça como um ribeiro perene’.” (Am 5.24, NIV). (pp. 91, 92, 93).

“Os cristãos não podem pensar que seu papel na vida é estritamente edificar a igreja, por mais crucial que isso seja. Cada um deles deve também, como próximo e cidadão, trabalhar sacrificialmente pela vida da coletividade e pelo bem comum. E o que é isso? No sentido mais básico, refere-se a coisas que beneficiam toda a comunidade humana, e não apenas a interesses egoístas de alguns indivíduos, grupos ou classes.” (p. 147).

Nacionalismo

“Será que artistas ficam zangados quando um museu importante aceita sua arte em uma instalação? Ou que músicos ficam com raiva quando são ovacionados no Carnegie Hall? Por que, então, no momento que acabara de pregar para a audiência mais difícil de sua vida — e eles responderam positivamente, até o último deles —, Jonas ardeu em fúria?” (p. 96).

“Quando cristãos valorizam mais os próprios interesses e a própria segurança do que o bem e a salvação de outras raças e etnias, estão pecando como Jonas. Se valorizam o crescimento econômico e militar de seu país em detrimento do bem da raça humana e da promoção da obra de Deus no mundo, estão pecando como Jonas. Sua identidade está mais enraizada em sua raça e nacionalidade do que no fato de serem pecadores salvos e filhos de Deus. O amor legítimo que Jonas sentia por seu país e povo havia se tornado excessivo, grande demais, e estava rivalizando com Deus. O orgulho legítimo que alguém sente por sua raça pode se transformar em racismo. Sentimentos legítimos de orgulho nacional e patriotismo podem se transformar em imperialismo.” (p. 100).

Autossuficiência

“O maior perigo de todos é nunca nos tornarmos conscientes de nossa cegueira, nosso orgulho e nossa autossuficiência. Instintivamente, acreditamos ter muito mais capacidade de dirigir nossa vida com sabedoria do que realmente temos, assim como acreditamos ser muito mais virtuosos, honestos e decentes do que realmente somos. Esses são erros fatais, e Satanás ficaria feliz em deixar que você tenha uma vida deslumbrante e próspera por muitos anos, a fim de que não veja a verdade até que seja tarde demais. No entanto, Deus, por seu amor, quer despertá-lo para sua condição, a fim de que você possa fazer algo a respeito. E na vida de muita gente ele usa tempestades para isso.” (p. 130).

Identidade

“Somente denunciando, culpando e desprezando fatores identitários diferentes das outras pessoas — fatores relativos a raça, classe, religião e ponto de vista — é que poderemos nos sentir bem em relação a nós mesmos. A exclusão dos outros nos proporciona ‘a ilusão de impecabilidade e força’.” (p. 160

“Quando você se torna cristão, não deixa de ser chinês ou europeu, mas agora sua raça e nação não definem quem você é tão plenamente quanto antes. Você já não depende mais desses fatores da mesma maneira para seu valor e honra. É cristão em primeiro lugar, e, somente em segundo lugar, chinês ou europeu. Ser cristão lhe dá certo distanciamento e objetividade para que você possa enxergar as partes boas e ruins de sua cultura com mais clareza do que muitas pessoas que ainda confiam nela como algo fundamental para sua autoestima.” (p. 164).

Graça e misericórdia de Deus

“Seja qual for o seu problema, Deus o resolve com a sua graça. A graça de Deus revoga a culpa para sempre. Você pode estar cheio de arrependimento pelo passado ou pode estar vivendo com uma sensação de grande fracasso. Não importa o que fez. Ainda que você fosse cem vezes pior do que é, seus pecados não seriam páreo para a misericórdia de Deus.” (p. 193).

Idolatria

“Olhe para suas orações e seus sonhos não respondidos. Quando Deus não os realiza, você luta com o desapontamento, mas depois segue em frente? Ou você examina a si mesmo, aprende lições, faz mudanças e depois segue em frente? Ou você sente que ‘para mim a morte é melhor que a vida’ (Jn 4.3)? A diferença pode dizer se você está lidando com um amor normal em sua vida ou com um ídolo.” (p. 201).

Polarização política

“Vivemos em um mundo fragmentado em várias ‘bolhas midiáticas’, nas quais a pessoa ouve apenas notícias que confirmam aquilo em que já acredita. Qualquer um que use a internet e as mídias sociais ou até mesmo que assista a maioria dos canais de notícias hoje em dia está sendo diariamente encorajado, por meio de uma porção de maneiras diferentes, a se tornar como Jonas em relação ‘àquelas pessoas lá’. Grupos demonizam e zombam de outros grupos. Cada região do país e cada partido político encontra razões para desprezar os demais. Os crentes hoje estão sendo sugados para dentro desse redemoinho tanto quanto quaisquer outras pessoas, se não mais.” (pp. 205-206).

Citações extraídas da obra “O profeta pródigo: Jonas e o mistério da misericórdia de Deus“, de Timothy Keller, publicada por Vida Nova: São Paulo, 2019. Traduzido por Marisa K. A. Siqueira Lopes. Publicado no site Tuporém com permissão.

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Timothy Keller nasceu e cresceu na Pensilvânia, com formação acadêmica na Bucknell University, no Gordon-Conwell Theological Seminary e no Westminster Theological Seminary. Ele é pastor da Redeemer Presbyterian Church, em Manhattan. Já esteve na lista de best-sellers do New York Times e escreveu vários livros, entre eles A fé na era do ceticismo, Igreja centrada, A cruz do Rei, Encontros com Jesus, Ego transformado, Justiça generosa, entre outros, todos publicados por Vida Nova.
Em O profeta pródigo, Timothy Keller revela as camadas escondidas do livro de Jonas e mostra que, apesar de o protagonista dessa história ter sido um dos piores profetas de toda a Bíblia, ele tem muito em comum com a Parábola do Filho Pródigo e com o próprio Jesus, o qual vê muitas semelhanças entre si e o “profeta pródigo”.

Assim como a história de Jesus não acabou após três dias no sepulcro, o relato sobre a vida de Jonas também não chegou ao fim depois do mesmo período dentro do grande e misterioso peixe: ainda havia uma segunda parte a ser cumprida em seu ministério. Neste livro, Keller interpreta a extraordinária (e enigmática) conclusão dessa história e nos mostra a poderosa mensagem por trás da vida de Jonas: a extraordinária graça de Deus.

Publicado por Vida Nova.

1 Comentário

  1. Jonathan disse:

    Muito Bom

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