Cinco motivos sobre a importância da leitura no ministério pastoral | Thiago Oliveira

Aqui elenco cinco benefícios que tornam a leitura um exercício importante para todo aquele que desempenha ou almeja a função pastoral:

1. Aumenta o conhecimento teológico: E como todo pastor é (ou deveria ser) um teólogo, faz-se necessário ter uma boa biblioteca para auxiliá-lo em seus estudos e no preparo de seus sermões. A leitura de obras teológicas mostra o que vem sendo debatido há séculos e o que se caracteriza como fundamento da fé cristã, resultando numa firmeza que diminui a probabilidade de ensinar algum ponto heterodoxo na ânsia de inovar.

2. Auxilia na educação eclesiástica: Na medida em que bons livros são lidos, alguns servirão de base para materiais de estudos em grupos pequenos e na Escola Bíblica Dominical. Alguns são integralmente usados como suporte didático de aulas, treinamentos ministeriais e minicursos. Obviamente, o pastor deve conhecer o material adotado pela igreja, e para conhecer tem que ler.

3. Ajuda na tarefa de aconselhar e exortar o rebanho: Através de experiências de outros autores, ou até mesmo enredos ficcionais, podemos nos deparar com situações semelhantes a que vivem alguns irmãos que precisam de um aconselhamento ou de serem repreendidos. A Bíblia é o livro base para se fazer isso, no entanto, com o que lemos em outras obras podemos ter um insight de como aplicar o conteúdo da Escritura diante da especificidade de cada caso.

4. Enriquece o vocabulário: Um pastor é um comunicador, logo, precisa ter um bom relacionamento com as palavras, principalmente quando é convidado para palestrar ou ministrar a Palavra em eventos em instituições de ensino (e.g. cultos ecumênicos em formaturas). Uma das coisas que pastores costumam fazer é escrever seus sermões ou escrever materiais de discipulado e estudos de doutrina, e também boletins. Logo, precisam escrever razoavelmente bem. A leitura é sabidamente um instrumento que proporciona o enriquecimento do vocabulário, auxiliando o pastor na comunicação oral e escrita.

5. Proporciona um saber generalista: É importante, principalmente no mundo como o nosso, pluralista e com informações muito acessíveis, que os pastores saibam — ao menos — se situar numa conversa sobre política, filosofia, cultura, outras religiões, ou sobre coisas do mundo acadêmico. Evidentemente que não dá para ser um sabichão que tem todas as respostas para qualquer assunto, porém, o outro extremo também é perigoso, que seria o não saber nada além de teologia, pois o conhecimento teológico precisa se comunicar com o mundo e as pessoas que fazem parte dele. Nem mesmo a igreja está ausente no mundo. Seus membros estão suscetíveis a serem enredados por falsos credos e vãs filosofias e é dever pastoral saber conhecer as demandas do mundo para julgá-las com o crivo bíblico, podendo assim alertar sobre todo e qualquer perigo à suas ovelhas.

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Conclusão

Há quem objete os pontos acima elencados e diga que o importante é o conhecimento bíblico somado a uma vida piedosa. Creio que estas duas coisas são realmente primordiais, contudo, não há qualquer ligação direta entre a leitura de outros livros que não sejam a Bíblia e a impiedade. Será que uma pessoa não tem uma vida santa apenas porque estabeleceu uma meta de ler X livros por ano? Alguém se torna impiedoso por ler as Institutas de Calvino ou a Dogmática de Bavinck?

Outra objeção versa acerca da teorização que resulta em falta de prática ou vivência cristã. Há um perigo? Sim, quando se faz do primeiro ponto um fim em si mesmo e busca-se apenas crescer intelectualmente. Mas não é regra que todo leitor voraz tende a ser um acadêmico irrelevante para a igreja. Há exemplos clássicos na história de que grandes intelectuais foram exímios pastores, plantadores de igreja e missionários.

Portanto, que toda a leitura seja para glória de Deus, buscando além da edificação pessoal a edificação da igreja mediante a aplicabilidade do conhecimento adquirido. Com toda a certeza, o SENHOR se agrada disso.

“Ora et labora” — Bento de Núrsia

Thiago Oliveira é graduado em História e especialista em Ciência Política, ambos pela Fundação de Ensino Superior de Olinda (Funeso). Mestrando em Estudos Teológicos pelo Mints-Recife. Casado com Samanta e pai de Valentina, atualmente pastoreia a Igreja Evangélica Livre em Itapuama/PE.

1 Comentário

  1. Gilmar Liberato disse:

    Muito bom este post. Realmente não somos nada sem a leitura e eu tenho muita vontade de me tornar um devorador de livros. Principalmente os teológicos. Vc deveria postar dicas de como tornarmos um. Alguns métodos, macetes e dicas. Parabéns e um grande abraço em Cristo Jesus.

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