Como os cristãos devem reagir ao filme Noé? | Trevin Wax

Quando escutei pela primeira vez que um filme baseado na história bíblica de Noé estava sendo feito, imaginei que seria um filme de baixo orçamento junto às linhas de caricaturas televisivas que vimos sobre o Grande Dilúvio. O trailer revela que muito mais tempo e dinheiro foram gastos nesse filme do que eu esperava.

Sempre que Hollywood toma uma história bíblica como base para um filme, os evangélicos tendem a responder em uma de duas formas.

Os críticos

Primeiro, há o grupo que está principalmente preocupado com a exatidão bíblica. Tomar qualquer tipo de licença dramática é semelhante a adulteração do texto, o que pode levar à solidificação de erros nas mentes dos espectadores.

Este grupo fica em blogs ou posts de comentário e aponta todas as falhas e erros na visão do diretor do filme.

  • Se é Jesus, a História do Nascimento, eles apontam que não sabemos se os magos eram reis, ou que havia três deles.
  • Se é O Príncipe do Egito, eles apontam que foi a filha de Faraó, e não sua esposa, que descobriu Moisés no rio;
  • Se for Os Dez Mandamentos, eles nos lembram que não há registro bíblico de uma princesa egípcia dizendo “Mooisséééss, Mooisséééss!” Tantas vezes.
  • Se for série A Bíblia, do History Channel, eles apontam que a Bíblia não atribui movimentos ninja para os anjos que ajudaram Ló a fugir de Sodoma.

Você entende a ideia. Este grupo quer exatidão bíblica, e todos os filmes são julgados com base em sua capacidade de acertar os detalhes.

Os festejadores

Em segundo lugar, há o grupo que se sente lisonjeado de ver Hollywood prestar qualquer atenção à Bíblia. Não importa o que Hollywood faça com as histórias sagradas, está “espalhando a palavra” ou “fazendo a Bíblia parecer legal.”

Este grupo organiza sessões de cinema como uma ferramenta de testemunho para o Senhor (e uma ferramenta de marketing para os cineastas, é claro). Eles encontram o bem em qualquer aparência de espiritualidade que venha de Hollywood.

  • Se é O Todo Poderoso, eles começam uma discussão em grupo sobre como Deus pode ou não pode ser como Morgan Freeman;
  • Se é A Paixão de Cristo, eles convidam seus amigos e vizinhos perdidos para um jantar e um banho de sangue;
  • Se é Homem-Aranha 3, eles fazem uma série de sermões sobre vingança e a espiritualidade de filmes de super-heróis.

Não importa o quão ruim o filme possa ser, é melhor do que não se envolver de forma nenhuma. Faça o melhor de um bom filme de Hollywood!

O que há de certo e errado nessas visões?

Caricaturei, de forma deliberada, os piores aspectos desses dois grupos, mas não quero que deixemos passar o fato de que há algo a ser dito sobre as duas reações.

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Os críticos estão certos em manter uma visão erudita da Bíblia e em julgar tudo pelos padrões dela. Eles também estão certos sobre a habilidade de um filme de solidificar imagens mentais e detalhes em nossa mente, quer reflitam bem a Bíblia ou não.

Os festejadores estão certos em ver uma oportunidade sempre que Hollywood lança mão da popularidade bíblica. É mais fácil falar sobre coisas espirituais com seus amigos e vizinhos quando milhões de pessoas se arrebanham para filmes de temática espiritual no final de semana. Esses dois grupos erram em sua tendência a supervalorizar tanto o pânico como a vantagem.

Os críticos supervalorizam o perigo de um filme sem exatidão bíblica, tendendo a ver toda licença artística como sacrilégio.

Os festejadores supervalorizam o potencial de um blockbuster hollywoodiano, esperando que frutos espirituais venham, não da Palavra, mas dos pixels na telona.

NOÉ

Isso nos traz de volta a Noé. Parece que 2014 vai ser interessante por ter um filme épico baseado em uma história da Bíblia.

Não importando o que Hollywood faça com Noé, devemos reconhecer o elogio desajeitado em usar material de fonte bíblica como base para um filme. A razão pela qual histórias da Bíblia são apelativas é sua familiaridade embutida, mais sua ressonância emocional.

Então, o julgamento desse filme começou.

Como Noé será retratado? Como homem íntegro ou negociante pragmático?

Como Deus será retratado? Como juiz íntegro purgando o mundo da maldade ou como um tirano sedento por sangue que não vê a hora de destruir a terra?

Que tipo de conversa virá deste filme? Vamos nós ter a oportunidade de falar a pessoas sobre a natureza e o caráter de Deus? Sobre a natureza e o caráter da fé íntegra?

Eu recomendo que cristãos assistam a esse filme do modo que assistimos a qualquer filme – com discernimento e sabedoria. Não devemos dar crédito demais às falhas do filme e perder a grande oportunidade. Tampouco devemos ver o filme como o método de evangelismo mais promissor a aparecer em dias recentes, como se a Palavra de Deus necessitasse de representação visual para maximizar seu poder.

E quanto a você? Como você vai responder ao filme Noé?

Traduzido por Mariana Monteiro

Texto original aqui.

Trevin WaxTrevin Wax é editor executivo do The Gospel Project, um programa de grupos pequenos centrado no evangelho para todas as idades, publicado pela LifeWay Christian Resources. Contribui com inúmeras publicações, incluindo Christianity Today e World. Escreve diariamente em seu blog Kingdom People, hospedado na página The Gospel Coalition.

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