Jesus realmente existiu? – O testemunho de autores não cristãos sobre Jesus | Craig Blomberg

Jesus Cristo Pantocrator (Mosaico na Catedral Hagia Sophia, Istambul)

Em uma perspectiva contemporânea, a vida e os ensinos de Jesus parecem ter uma influência tão significativa nos últimos vinte séculos da história mundial que é difícil imaginá-los fugirem à atenção de historiadores antigos. É surpreendente ouvir estudiosos afirmarem que, na verdade, fora dos Evangelhos há bem poucas evidências corroboradoras da vida de Cristo.

Fontes greco-romanas

Nenhum dos historiadores greco-romanos das primeiras gerações da era cristã tem muito a dizer sobre a vida de Jesus. Mas várias passagens importantes oferecem um testemunho breve e independente da existência de Jesus. Júlio Africano, um historiador do terceiro século, cita uma interessante declaração do historiador Talo, que no primeiro século escreveu em grego uma crônica da história do mundo, na qual o autor se refere às trevas que ocorreram na hora da crucificação.[1] Plínio, o Jovem, o legado romano na Bitínia-Ponto (agora uma parte do centro-norte da Turquia) no início do segundo século, escreveu ao imperador Trajano, pedindo conselhos sobre como lidar com cristãos que se recusavam a reverenciar a imagem de César. Plínio assinalou que esses cristãos se reuniam regularmente e cantavam hinos “a Cristo como se fosse a um deus” (Cartas 10.96.7). A expressão “como se fosse a um deus” sugere que Plínio sabia que Jesus tinha sido alguém que havia vivido na terra, mas estava relutante em chamá-lo de divino.[2] Argumentos de que Plínio está simplesmente relatando uma afirmação cristã errônea caem por terra porque ele explica que recebeu essa informação daqueles que haviam renegado a fé cristã (10.96.6).[3]

Uma terceira fonte de informações sobre a vida humana de Jesus é o escritor romano Tácito, o antigo historiador romano que é invariavelmente o mais confiável[4] e escreveu no início do segundo século. Ele descreve os cristãos como aqueles que receberam esse nome de “Cristo, que havia sido executado por sentença do procurador Pôncio Pilatos no reinado de Tibério” (Anais 15.44). Esses detalhes se harmonizam perfeitamente com as informações encontradas no Novo Testamento, mas e improvável que tenham origem nele.[5] Escrevendo cerca de cinco anos depois de Tácito, outro historiador romano da época, Suetônio, se refere à expulsão de judeus de Roma na época do imperador Cláudio (41-54 d.C.). Ele atribui a causa desse édito imperial a agitações “instigadas por Chrestus” (Claudio 25.4). Muitos estudiosos veem aí uma grafia variante ou errada do latim Christus (Cristo) e creem que é a um tumulto entre judeus não cristãos e cristãos judeus em Roma que Suetônio se refere, equivocadamente pensando que o próprio Cristo estava presente para instigá-lo.[6] De qualquer maneira a referência “aponta para Jesus como o líder de um bando de judeus dissidentes, se não para o fundador do cristianismo”.[7] No mundo grego, Luciano de Samósata, um escritor de sátiras que viveu no segundo século, zombou dos cristãos por, entre outras coisas, adorarem um homem: a pessoa notória que instituiu os ritos inauditos deles e foi, por isso, crucificada. Ele passa a chamar Jesus de “sábio” (A morte de Peregrino 11-13). Mara bar Serapion, um sírio que provavelmente viveu durante o segundo século, escreveu uma carta a seu filho, instando-o a imitar mestres sábios como Sócrates. Nesse contexto, ele se refere duas vezes a um “rei sábio” que os judeus executaram, o que os levou ao exílio mais recente da terra e a dispersão por todo o Império. Apenas Jesus se enquadra nessa descrição e bar Serapion passa a enfatizar que o sábio Rei continuou vivendo no ensino que tinha dado. Esse tipo de título para Cristo talvez reflita os ensinos do próprio Jesus sobre si mesmo, ou pelo menos convicções tão antigas quanto a narrativa do título que Pilatos pregou na cruz, o qual declarava em três idiomas que Jesus havia afirmado ser o Rei dos judeus.[8] Por fim, pode-se incluir a referência de Orígenes à obra do apologista pagão Celso, que ataca as crenças cristãs em inúmeras frentes. Mas ele jamais nega que Jesus tenha sido um personagem histórico. Em vez disso, Celso faz pouco caso da linhagem e da condição socioeconômica de Jesus, chama sua mãe, Maria, de adúltera, atribui seus poderes milagrosos a feitiçaria que teria aprendido no Egito e acusa que ele usou esses poderes de modo equivocado para afirmar sua própria divindade (Origenes, Contra Celso 1.28).

Combinando as evidências desses vários autores greco-romanos, pode-se claramente juntar dados suficientes para refutar a noção fantasiosa de que Jesus nunca existiu,[9] sem nem mesmo recorrer ao testemunho de fontes judaicas ou cristãs. Mas, fora essas referências à sua crucificação, a ser adorado como deus, a operar milagres, a ter um nascimento incomum e a ser visto como um sábio, rei e instigador de controvérsias, não se descobre nada mais explícito em fontes greco-romanas. Mas isso não deve causar demasiada surpresa, quando se levam em conta o início humilde do cristianismo, a localização remota da Palestina na fronteira oriental do Império Romano, a pequena porcentagem de obras remanescentes de antigos historiadores greco-romanos e a falta de atenção dada por aquelas obras a personagens judaicos em geral.

Fontes judaicas

Quando se considera a rapidez com que o cristianismo se tornou uma religião predominantemente gentílica e como se deu a deterioração das relações entre cristãos e judeus, não é tão surpreendente que as tradições judaicas também não façam praticamente nenhuma menção a Jesus. Mas elas fornecem, sim, mais dados do que as fontes greco-romanas. E as referências que restam têm sido regularmente censuradas, com cópias posteriores ou relatos paralelos omitindo o nome de Jesus ou amenizando as tradições mais radicais acerca dele.[10] Às vezes informações sobre Jesus parecem ter sido transferidas para relatos de outros líderes judeus apostatas.[11] De modo que é inteiramente provável que a tradição judaica soubesse muito mais sobre a vida terrena de Jesus do que aquilo que está registrado nos documentos que sobreviveram.[12] Mas o valor daquilo que resta permanece um tanto obscuro.[13]

Tradições rabínicas

Nenhum dos testemunhos dos antigos rabinos corresponde perfeitamente às informações registradas nos quatro Evangelhos sobre Jesus, mas a maioria se torna inteligível quando vista como modificações e distorções dos fatos históricos. Várias tradições não mencionam especificamente o nome de Jesus, embora seja ele quem está claramente em vista. Por exemplo, no Talmude de Jerusalém, o rabino Abbahu, do terceiro século, afirma: “Se um homem lhe disser ‘Eu sou (um) Deus’, é mentiroso; se disser ‘Eu sou (um) Filho do Homem’, lamentará isso; se disser ‘Subirei ao céu’, disse isso, mas não conseguira fazê-lo” (y. Ta‘anit 65b). Essa tradição não reflete conhecimento de primeira mão sobre a vida de Jesus, apenas conhecimento das afirmações cristãs sobre ele. O mesmo vale para as referências no Talmude Babilônico, Shabbat 104b, a Jesus ser “ben [filho de] Stada [de Satanás?], como uma que sustentava que ele trouxe ‘feitiços do Egito’ e que sua mãe era Miriã (Maria), a cabeleireira” (megadella = Madalena, em uma confusão com as duas Marias?).[14] No entanto, o dado interessante dessa e de outras tradições rabínicas parecidas e que essas afirmações nunca são questionadas como invenções de seus seguidores; são simplesmente rejeitadas como erradas. Ao contrário de céticos modernos, os rabinos aparentemente nunca negaram que Jesus tivesse feito essas reivindicações; em vez disso, chamavam de mentiroso alguém que fazia essas afirmações. Com certeza, se Jesus tivesse sido um simples mestre cuja compreensão de si mesmo foi grandemente distorcida por cristãos de gerações subsequentes, alguma lembrança desse fato teria restado para ser explorado por aqueles que se opunham ao cristianismo. Em vez disso, a explicação rabínica mais comum é que o cristianismo foi fundado por um feiticeiro que enganou Israel (veja p. 275-6).[15]

Outras tradições rabínicas se referem a Jesus de modo mais direto. No Talmude Babilônico, uma obra do quinto século, um discípulo rebelde é comparado a alguém “que queima publicamente sua comida como Jesus de Nazaré”, usando uma metáfora que se refere à distorção do ensino judaico (Sanhedrin 103a). Algumas colunas adiante, é feita a alegação de que “Jesus, o Nazareno, praticou magia e fez Israel se desviar” (Sanhedrin 107b; cf. 43a; Justino, Diálogo com Trifo 7.3). Ambas as tradições refletem as contestações de Jesus às interpretações judaicas majoritárias da Lei, e a segunda parece admitir que ele também operou alguns tipos de milagres ou maravilhas, ainda que os explique de maneira diferente do que faz a maioria dos cristãos. Mais uma vez as afirmações cristas não são negadas, mas simplesmente recebem uma interpretação diferente.[16]

Em várias passagens Jesus é chamado de “Jesus ben (filho de) Pandera”, e Orígenes, um escritor cristão do segundo século, explica que os judeus criam que Jesus era filho de Maria por causa de um relacionamento adúltero com um soldado romano com esse nome (Contra Celso 1.32). O nome e, portanto, a lenda poderia vir de uma corruptela de parthenos, a palavra grega para “virgem”, e refletir conhecimento da doutrina cristã do nascimento virginal. E impossível saber o quão antiga é essa alegação judaica, mas, ao que parece, no Evangelho de João já há alusão a acusações de que Jesus nasceu fora do casamento (8.41). Tanto a tradição cristã quanto a judaica deixam implícito que José não foi o pai biológico de Jesus.[17]

Os dois detalhes nas tradições rabínicas que mais amplamente se acredita que contém um núcleo de testemunho independente de informações genuínas e históricas sobre Jesus se referem à sua morte e a seus discípulos. No Talmude Babilônico, Sanhedrin 43a, afirma-se que Jesus foi enforcado na véspera da Páscoa. Pressupondo-se que a crucificação poderia ser chamada de “penduramento”, essa tradição daria forte respaldo ao relato joanino da morte de Cristo, no qual parece que os judeus não haviam começado a celebrar a Páscoa quando Jesus foi crucificado, e parece se opor à reconstrução adotada acima sobre o último dia de vida de Jesus (p. 239-44), segundo a qual Jesus morreu no dia seguinte à noite da principal refeição da Páscoa. Mas essa tradição rabínica prossegue e afirma que “quarenta dias antes da execução ocorrer, um arauto saiu anunciando: ‘Ele será apedrejado porque praticou feitiçaria e seduziu Israel à apostasia’”. Uma vez que, como forma de dissuadir o povo e trazer desonra para os executados, os judeus geralmente penduravam os cadáveres dos criminosos que apedrejavam, é mais natural interpretar essa passagem como referência a um penduramento verdadeiro, o que não se aplicaria a Jesus. Além do mais, a noção de um período de quarenta dias para anunciar uma execução contradiz o processo penal judaico, de modo que toda essa tradição se torna historicamente suspeita.[18] Mas ela demonstra a convicção de antigos judeus de que, quaisquer que fossem os exatos detalhes, pelo menos alguns de seus líderes estavam envolvidos na morte de Jesus, e nenhuma tradição antiga jamais chegou a contestar essa afirmação.[19]

Na mesma seção do Talmude, os rabinos passam a ensinar que “Jesus teve cinco discípulos, Mattha, Naqai, Nezer, Buni e Todah”. Estudiosos conjecturam que Mattha, Naqai e Todah são grafias alternativas ou corruptelas das palavras hebraicas para Mateus, Nicodemos e Tadeu e que Nezer e uma referência mais genérica a um nazareno ou seguidor de Jesus. E concebível que Buni seja apenas uma corruptela da palavra hebraica para João. Ainda assim, tudo isso é suposição. No final das contas, é preciso admitir que as tradições rabínicas não oferecem praticamente nenhum testemunho valioso e independente acerca do ministério de Jesus.[20]

Josefo

À primeira vista, o historiador judeu Josefo, que escreveu durante a segunda metade do primeiro século d.C., parece apresentar um material bem mais promissor. Em sua obra Antiguidades dos judeus ele menciona de passagem “Tiago, o irmão de Jesus que era chamado o Cristo”, o qual ele afirma que foi entregue ao Sinédrio para ser apedrejado em algum momento na década de 60 (20.200). Josefo também fala de João Batista, a quem Herodes matou “embora fosse um homem bom e tivesse exortado os judeus a levar uma vida justa, a praticar a justiça com seus semelhantes e a piedade com Deus e a, procedendo assim, participar do batismo” (18.117). Mas a passagem mais notável e significativa ocorre em 18.63-64:

Por volta dessa época vivia Jesus, um homem sábio, se é que convém chamá-lo de homem. Pois ele foi alguém que operou feitos surpreendentes e era um mestre das pessoas que aceitam a verdade de bom grado. Ele conquistou muitos judeus e muitos dos gregos. Ele era o Messias. Quando Pilatos, ao ouvir que ele era acusado por homens da mais alta posição entre nós, o condenou a ser crucificado, aqueles que inicialmente tinham vindo a amá-lo não deixaram de ter afeição por ele. No terceiro dia ele lhes apareceu de volta à vida, pois os profetas de Deus haviam profetizado essas e inúmeras outras coisas maravilhosas sobre ele. E a tribo dos cristãos, assim denominados por causa dele, ainda não desapareceu até hoje.[21]

Caso fosse, em sua totalidade, um trecho autêntico do texto original das Antiguidades dos judeus, de Josefo, essa passagem forneceria uma corroboração impressionante das linhas gerais do testemunho dos Evangelhos sobre Jesus por alguém que em sua história não demonstra, no demais, quaisquer sinais de favorecer o cristianismo. Mas é justamente porque Josefo não era cristão que é difícil de lhe atribuir todas essas palavras. Por esse motivo, alguns estudiosos rejeitam a passagem toda como uma interpolação posterior por um escriba cristão que copiou a obra de Josefo. Mas muitos estudos recentes sobre Josefo concordam que boa parte da passagem se assemelha de perto ao estilo com que Josefo escreve em outras passagens, de modo que, caso tenha sido manipulada, provavelmente apenas os detalhes sobre a humanidade duvidosa de Cristo, sua messianidade e sua ressurreição foram acrescentados.[22] Uns poucos estão dispostos a deixar a passagem quase toda intacta, supondo que o original tenha variado apenas por causa da inclusão de expressões do tipo “o assim chamado Cristo” (como na passagem sobre Tiago) e “alguns disseram que ele apareceu…”.[23] O fato de que citações e versões posteriores de Josefo de fato variam sobre alguns desses detalhes torna razoavelmente provável a hipótese de algum tipo de interpolação menor, embora estudiosos continuem a contestar sua exata natureza. Mas a maior parte da passagem parece ser autentica e é, com certeza, dentre os testemunhos antigos não cristãos sobre a vida de Jesus o mais importante que foi preservado.[24]

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Josefo também fornece mais corroboração indireta das narrativas dos Evangelhos sobre Jesus. Para começar, ele narra as insurreições de inúmeros aspirantes a Messias e de outros agitadores judeus e seus seguidores, tornando bastante plausível a inquietação judaica e romana com Jesus e seu grupo.[25] Ele também faz referência a João Batista, dando acerca da mensagem, ministério e execução de João um testemunho possivelmente compatível com os relatos dos Evangelhos.[26] O mais intrigante é que ele descreve a mensagem, detenção, julgamento, soltura e assassinato de certo Jesus ben Ananias na década de 60 d.C., com detalhes e sequência que correspondem àqueles das narrativas da Paixão nos Evangelhos (exceto, é claro, que Jesus nunca foi solto). A verossimilhança histórica dessas narrativas fica ainda mais acentuada quando se examinam cuidadosamente as evidências de um costume parecido com o descrito nos textos em que Pilatos tenta soltar Barrabás, mesmo que ainda tenhamos de encontrar corroboração dessa prática específica.[27]

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[1] Para todos os oito fragmentos remanescentes de Talo, veja Jacoby, Die Fragmente der griechischen Historiker II B (Berlin: Weidmann, 1929; Leiden: Brill, 1962), p. 1156-8. 

[2] A partir dos contextos mais amplos da citação, pode-se também inferir que a adoração a Cristo era ao mesmo tempo central nesses cultos e, na forma, diferente de antecedentes tanto pagãos quanto judaicos. Veja Stanton, “Aspects of early Christian and Jewish worship: Pliny and the kerygma Petrou, in: Wilkins; Paige, orgs., Worship, theology and ministry in the early church (Sheffield, Reino Unido: JSOT, 1992), p. 84-98. Quanto ao significado mais amplo e a importância do testemunho de Plínio, veja Cassidy, John’s Gospel in new perspective: Christology and the realities of Roman power (Maryknoll: Orbis, 1992), p. 17-26.

 [3] M. J. Harris, 3 crucial questions about Jesus (Grand Rapids: Baker, 1994), p. 18.

[4] Ibidem, p. 21. Cf. Syme, Tacitus (Oxford: Clarendon, 1958; reimpr., New York: Oxford University Press, 1980), p. 469.

[5] Van Voorst, Jesus outside the New Testament: an introduction to the ancient evidence (Grand Rapids:

Eerdmans, 2000), p. 39-53.

[6] Veja ibidem, p. 29-39; contrariamente à ideia de que Christus e Chrestus não teriam sido confundidos. Cf. M. J. Harris, 3 crucial questions about Jesus, p. 22-4.

[7] M. J. Harris, “References to Jesus”, in: Wenham, org., Gospel perspectives (Sheffield, Reino Unido: JSOT, 1985; reimpr., Eugene: Wipf & Stock, 2004), vol. 5: The Jesus Tradition outside the Gospels p. 356. O restante do artigo de Harris (p. 343-68) apresenta uma análise mais detalhada das passagens assinaladas nesta seção e fornece as traduções adotadas aqui.

[8] Habermas, Historical Jesus, p. 206-8.

[9] Contra esp. Wells, The historical evidence for Jesus, ed. rev. (Buffalo: Prometheus, 1988); e M. Martin, Case against Christianity (Philadelphia: Temple University Press, 1991), p. 36-72. A alegação de que Jesus nunca existiu é concisa mas adequadamente refutada em van Voorst, Jesus outside the New Testament, p. 6-16. Cf. tb. Habermas, Historical Jesus, p. 27-46.

[10] Veja esp. as passagens tabuladas em Schafer, Jesus in the Talmud (Princeton: Princeton University Press, 2007), p. 131-44. Kalmin (“Christians and heretics in rabbinic literature of late antiquity”, HTR 87 [1994]: 155-69) mostra como o Talmude Babilônico transformou tradições mais díspares sobre Jesus em outras que fizeram dele apenas um rabino (apóstata) comum. Por outro lado, não há motivo algum para adotar quaisquer das ocasionais afirmações sensacionalistas de que um dos personagens dos Manuscritos do Mar Morto é um criptograma para Jesus, especialmente porque a grande maioria desses documentos é pré-cristã. Veja Yamauchi, “Jesus outside the New Testament? What is the evidence?”, in: Wilkins; Moreland, Jesus under fire: modern scholarship reinvents the historical Jesus (Grand Rapids: Zondervan, 1995; Carlisle, Reino Unido: Paternoster, 1996), p. 208-11.

[11] E.g., a história da blasfema reivindicação messiânica, julgamento e execução de Bar Kokhba em b. Sanhedrin 93b. Nenhum dos detalhes se encaixa nas outras tradições conhecidas da vida de Bar Kochba, ao passo que é possível perceber que todos correspondem razoável e estreitamente aos da vida de Jesus. Veja O’Neill, “The mocking of Bar Kokhba and of Jesus”, JSJ 25 (1994): 39-41.

[12] Menos comumente, um dito ou historieta independente e mais tarde associado ao nome de Jesus. Veja esp. Gero, “The stern master and his wayward disciple: a ‘Jesus’ story in the Talmud and in Christian hagiography”, TZ 35 (1994): 287-311.

[13] Para muitos dos detalhes a seguir, veja Twelftree, “Jesus in Jewish traditions”, in: Wenham, org., Gospel perspectives, vol. 5: The Jesus Tradition outside the Gospels, p. 289-341, do qual também se adotam as traduções apresentadas aqui.

[14] Veja C. A. Evans, “Jesus in non-Christian sources”, in: Chilton; Evans, Studying the historical Jesus: evaluations of the state of current research (Leiden: Brill, 1994), p. 445.

[15] Cf. Stauffer, Jesus and his story (London, Reino Unido/New York: SCM/Knopf, 1960), p. 155-6.

[16] Cf. esp. Stanton, “Jesus of Nazareth: a magician and a false prophet who deceived God’s people?”, in: Green; Turner, orgs., Jesus of Nazareth: Lord and Christ (Carlisle, Reino Unido/Grand Rapids: Paternoster/Eerdmans, 1994), p. 164-80.

[17] Meier, A marginal Jew: rethinking the historical Jesus (New York: Doubleday, 1994), vol. 1, p. 96, 107, nota 48 [edição em português: Um judeu marginal: repensando o Jesus histórico, tradução de Laura Rumchinsky, Coleção Bereshit (Rio de Janeiro: Imago, 1996), vol. 2, livro 1].

[18] Também Silberman, “Once again: the use of rabbinic material”, NTS 42 (1996): 153-5.

[19] R. E. Brown, “The Babylonian Talmud on the execution of Jesus”, NTS 43 (1997): 158-9.

[20] Para um tratamento completo desses e de textos relacionados, veja J. Maier, Jesus von Nazareth in der talmudischen Uberlieferung (Darmstadt: Wissenschaftliche Buchgesellschaft, 1978). Maier conclui que nenhuma das tradições rabínicas sobre Jesus pode ser datada, com alguma probabilidade, nos dois primeiros séculos da era cristã. Schafer (Jesus in the Talmud) defende que elas eram distorções deliberadas do conteúdo do Evangelho para combater as afirmações cristãs.

[21] Jewish antiquities, tradução para o inglês de L. H. Feldman (London, Reino Unido/Cambridge: Heinemann/Harvard, 1965), vol. 10, p. 49-51.

[22] Veja esp. Meier, “Jesus in Josephus: a modest proposal”, CBQ 52 (1990): 76-103; Martinez, “Reevaluación critica del ‘testimonio’ de Flavio Josefo acerca de Jesús”, Apuntes 25 (2005): 84-118.

[23] Mesmo essas mudanças podem ser omitidas, caso se entenda que Josefo está escrevendo com ironia cáustica. Veja Cernuda, “El testimonio flaviano, alarde de solapada ironia”, EstBib 55 (1997): 355-85, 479-508.

[24] Para um histórico completo das abordagens dessa passagem desde o primeiro século, veja Wheatley, Josephus on Jesus: the Testimonium Flavianum controversy from late antiquity to modern times (New York: Peter Lang, 2003). Para a mais recente defesa meticulosa dessa posição, veja Paget, “Some observations on Josephus and Christianity”, JTS 52 (2001): 539-624.

[25] A natureza díspar desses indivíduos e elegantemente captada no título do livro Bandits, prophets, and messiahs: popular movements at the time of Jesus, escrito por Horsley com a colaboração de Hanson (Minneapolis: Winston, 1985; reimpr., Harrisburg: Trinity, 1999) [edição em português: Bandidos, profetas e messias: movimentos populares no tempo de Jesus, tradução de Edwino Aloysius Royer, Biblia e Sociologia (São Paulo: Paulus, 1995)].

[26] C. A. Evans, “Josephus on John the Baptist and other Jewish prophets of deliverance”, in: Levine, Allison; Crossan, The historical Jesus in context (Princeton: Princeton University Press, 2006), p. 55-63. Cf. Peek, “The death of John the Baptist”, in: Holzapfel; Wayment, The life and teachings of Jesus Christ (Salt Lake City: Deseret, 2005), vol. 2, p. 208-35, esp. 210-21.

[27] Quanto a essas duas ideias, veja C. A. Evans, Fabricating Jesus: how modern scholars distort the Gospels (Downers Grove: IVP, 2006), p. 175-9 e 174-5, respectivamente [edição em português: O Jesus fabricado: como os acadêmicos atuais distorcem o evangelho, tradução de Elizabeth Stowell Charles Gomes (São Paulo: Cultura Crista, 2009)].

Trecho extraído e adaptado da obra “A confiabilidade histórica dos Evangelhos“, de Craig L. Blomberg, publicada por Vida Nova: São Paulo, 2019, pp. 260, 268-276. Traduzido por Marcio Loureiro Redondo. Publicado no site Tuporém com permissão.

Craig L. Blomberg concluiu o doutorado em Novo Testamento na Universidade de Aberdeen, na Escócia, com especialização nas parábolas e nos escritos de Lucas-Atos. Obteve o bacharelado em artes pela Augustana College e o mestrado em artes pela Trinity Evangelical Divinity School. Antes de ingressar no Seminário de Denver, lecionou na Palm Beach Atlantic College e foi pesquisador na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, em parceria com a Tyndale House. Além de escrever diversos artigos em revistas acadêmicas, é colaborador com vários outros autores em dicionários e enciclopédias. É também autor e editor de vários livros, entre eles "Introdução aos Evangelhos", "A confiabilidade histórica dos Evangelhos", "Pregando as parábolas" e "Introdução de Atos a Apocalipse", publicados por Vida Nova.
Nesta edição revisada e atualizada o autor leva em conta as importantes pesquisas e estudos publicados nas últimas décadas. Escrevendo como historiador, Blomberg não apela para a inspiração da Bíblia ou para a tradição da igreja para construir seu argumento. Em vez disso, vale-se das diferenças entre relatos paralelos do mesmo acontecimento, do contraste marcante entre João e os Evangelhos Sinóticos, do interesse teológico dos Evangelistas, dos milagres de Jesus, do testemunho de fontes extrabíblicas e de uma avaliação crítica dos métodos históricos para demonstrar — de modo convincente — a confiabilidade histórica dos Evangelhos e, assim, apresentar uma resposta aprofundada e bem embasada às principais questões suscitadas nos recorrentes debates.

Publicado por Vida Nova.

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