O que está acontecendo no cristianismo? | John Cooper

Certo, preciso me manifestar, pois se trata de algo muito importante para deixar de fazê-lo. O que está acontecendo no cristianismo? Nossos líderes ou influenciadores que já foram os “rostos” da fé estão cada vez mais se afastando dela. E, ao mesmo tempo, estão sendo muito vocais e ousados ​​em relação a isso. De maneira chocante, eles ainda querem influenciar os outros (com que propósito?) à medida que anunciam que estão deixando a fé. Vou apresentar minha conclusão e, em seguida, oferecerei algumas réplicas às declarações que li por alguns deles. Em primeiro lugar, nunca julgo pessoas fora da minha fé (mesmo que elas odeiem a religião ou o cristianismo). Essa não é minha posição. Tenho muitos amigos que não concordam com a minha religião e isso é 100% bom para mim. No entanto, quando se trata de pessoas dentro da minha fé, deve haver uma medida de lealdade e amizade e prestação de contas uns aos outros e à Palavra de Deus.

Minha conclusão para a igreja (a todos nós cristãos) é a seguinte: devemos PARAR de acreditar que líderes de louvor, líderes de pensamento, influenciadores, pessoas legais ou pessoas “relevantes” são as pessoas mais influentes da cristandade. (E sim, isso inclui pessoas como eu!). Há vinte anos venho dizendo (e eu provavelmente parecia ser bastante crítico para alguns de meus colegas) que estamos em um terreno perigoso quando a igreja direciona seus olhares para cantores de louvor de vinte anos de idade como sendo nossa fonte de verdade. Agora temos uma cultura de igreja que aprende quem Deus é cantando canções de louvor modernas, ao invés de aprender isso a partir dos ensinamentos da Palavra. Não estou sendo rude com meus amigos líderes de louvor (muitos deles concordariam comigo) em dizer que cantores e músicos são bons em comunicar emoções e sentimentos. Criamos um momento e um veículo para Deus falar. Contudo, os cantores nem sempre são os melhores para escrever verdade e doutrina bíblicas sólidas. Às vezes, somos muito jovens, ignorantes demais nas Escrituras, ignorantes demais ou despreocupados demais com a pureza das Escrituras e a santidade do Deus a quem estamos cantando. Você já considerou como é desrespeitoso cantar canções a Deus que são falsas sobre seu caráter?

Tenho alguns pensamentos e respostas específicos às declarações feitas pelos influenciadores de igreja que recentemente negaram a fé. Em primeiro lugar, estou surpreso que a coisa aparentemente mais importante para esses líderes que perderam a fé seja adotar uma nova postura ousada. Estão basicamente dizendo: “Tenho vivido e pregado corajosamente por vinte anos e conduzido gerações de pessoas com meus ensinamentos e, agora, não acredito mais nisso. Portanto, direi às pessoas corajosamente, e em alta voz, que estava tudo errado, enquanto eu, corajosamente, e em alta voz, as conduzo à minha próxima verdade.” Estou perplexo. Por que não se sentem envergonhados? Ou humilhados? Ou envergonhados, temerosos, confusos? Por que estão tão ansiosos em continuar liderando as pessoas quando claramente não sabem para onde estão indo?

Meu segundo pensamento é: por que as pessoas agem como se “ser autêntico” cobrisse uma multidão de pecados? Como se alguém fosse corajoso simplesmente por compartilhar viralmente todo pensamento ou questão obscura. Isso não é ser corajoso, é ser arrogante. Eles consideraram as ramificações? Como se fossem os precursores da verdade, eles dizem: “Eu costumava pensar de um jeito, praticá-lo e pregá-lo, mas agora aprendi toda a nova verdade e começarei a praticá-la e pregá-la”. Assim, os influenciadores tornam-se a voz da verdade em qualquer estágio da vida e em qualquer evolução que ocorra em seu pensamento.

Em terceiro lugar, há uma característica comum entre esses líderes/influenciadores, que basicamente acreditam que ninguém além deles está falando sobre o VERDADEIRO problema. Isso é simplesmente falso. Acabei de ler hoje a declaração de um renomado líder de louvor: “Como um Deus de amor poderia mandar pessoas para o inferno? Ninguém fala sobre isso.” Como se ele fosse a primeira pessoa a perguntar isso. Irmão, você não é tão único. A igreja tem lutado com isso por 1.500 anos. Literalmente. Todo mundo fala sobre isso. As crianças discutem sobre isso na escola dominical. Há cerca de um bilhão de livros escritos sobre o assunto. Só porque você não consegue a resposta que quer, não significa que não estamos dispostos a lutar com a questão. Lutamos com as Escrituras até que sejamos transformados pela renovação de nossas mentes.

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Por fim, e de modo mais chocante, à medida que esses influenciadores negam sua fé, eles sempre terminam suas declarações com sua “nova percepção/nova verdade”, que é basicamente uma regurgitação das palavras de Jesus! É realmente bizarro e irônico. Eles dizem: “Estou negando minha fé, mas, lembre-se, ame as pessoas, seja generoso, perdoe os outros”. Humm, por quê? Isso não é realmente da natureza humana. Nenhuma criança nasce e diz: “Eu só quero amar os outros antes de amar a mim mesmo. Quero dar a outra face. Quero dar o meu dinheiro às pessoas necessitadas”. Esses são princípios bíblicos ensinados por um Profeta/Sacerdote/Rei dos reis que quer que vivamos segundo um padrão mais elevado que não é um padrão terreno, mas sim o padrão do “Reino de Deus”. Portanto, se Jesus não é a verdade e se a Palavra de Deus não é absoluta, então, ao pregar os ensinamentos de Jesus, você está endossando as palavras de um louco. Um lunático que disse “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim”. Ele também disse que estava vivo antes de Abraão, e que ver a ele era o mesmo que ver a Deus, pois ele era um com Deus. Então, por que um líder cristão que negou a fé promoveria a ideia de que “a generosidade é boa”? Como você saberia “o que é bom” sem os ensinamentos de Jesus? Suas ideias sobre o que é “bom” mudarão de ano em ano com base em sua experiência, tendências de cultura, opiniões populares etc.? Além disso, você continuará, ano após ano, a conduzir outros à sua ideia de bondade, embora não seja absoluta? Surpreende-me que tantos cristãos queiram os benefícios do reino de Deus, mas com a ressalva de que eles mesmos serão o rei.

É hora de a igreja redescobrir a preeminência da Palavra e valorizar o seu ensino. Precisamos valorizar a verdade no lugar do sentimento. Colocar a verdade acima da emoção. E o que estamos vendo agora é resultado do que a igreja fez ao levantar influenciadores que não valorizaram a verdade de maneira suprema, os quais, por sua vez, lideraram uma geração que também não acreditam na supremacia da verdade. E agora esses líderes que negaram a fé ainda estão orgulhosamente liderando e influenciando com ousadia outras pessoas para FORA da verdade.

É de admirar que alguns dos nossos líderes cristãos que negaram a fé estejam abandonando a verdade absoluta da Bíblia e que, subsequentemente, suas vidas estejam desmoronando? Eles estão cada vez mais se afundando no oceano enquanto gritam: “Agora eu encontrei a verdade! Sigam-me!” Irmãos e irmãs na fé em todo o mundo, pastores, mestres, líderes de louvor, influenciadores… Eu lhes imploro, por favor, por favor, em sua busca por relevância para o evangelho, NÃO encontremos maneiras criativas de moldar a Palavra de Deus à imagem de nossa cultura, sufocando as verdades inconvenientes. Antes, porém, nos agarremos ainda mais à âncora da Palavra viva de Deus. Pois ele NÃO muda. “Seca a relva e cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece para sempre” (Isaías 40.8).

Texto original: “What in God’s Name is Happening in Christianity?

Traduzido e revisado por Jonathan Silveira.

John Cooper é vocalista e baixista da banda de rock/metal cristão Skillet.

4 Comentários

  1. jonaatas Pereira disse:

    Ótima análise é um retrato bem atual.

  2. Luciana Yamamoto disse:

    Muito relevante e atual !
    Estou impactada com esse texto!

  3. kenyo marinho de oliveira disse:

    Espetacular. Uma análise sóbria, corajosa e equilibrada da nossa realidade pós verdade!

  4. ROGERIO MARQUES SANTOS disse:

    Ele poderia ser mais específico. Quem são estas pessoas? E o que dizer de professores de seminário liberais ou incrédulos? Ou mesmo pastores, como era o caso de William Barclay?

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