Tempo para tudo | Jonathan Silveira

Você já parou para pensar como o tempo é estranho? O tempo é cheio de inconstâncias e variações. O tempo oscila como as ações na bolsa de valores. Fazemos planos, sonhamos e nem sempre conseguimos alcançar nossos objetivos. Embora o homem se esforce para tentar controlar as circunstâncias da vida e impedir o sofrimento, Salomão nos diz que tudo tem o seu tempo e que não temos controle sobre os acontecimentos da vida. Como viver diante de tantas incertezas que eventualmente vão nos levar ao sofrimento? Eclesiastes 3.1-13 nos dá a resposta.

Eu gostaria de apresentar três pontos que se destacam no texto:

Ponto #1. Não podemos controlar o tempo e as situações da vida (v. 1-8):

Salomão começa descrevendo vários acontecimentos da vida, apresentando os seus contrastes (prazer e dor).

A vida e a morte (v. 2): Quem pode controlar o nascimento e a morte? Alguém pode decidir que não vai existir ou que não vai morrer? Ninguém está isento da tragédia. Na segunda parte do versículo, Salomão ilustra essa verdade sobre a vida e a morte com uma figura da agricultura: assim como há o tempo de se plantar, há também o tempo de se colher. Este mundo é como uma grande fazenda onde somos lançados à existência pelo agricultor e, no momento certo, nossa vida é ceifada por ele.

Choro e riso, despedidas e reencontros, perdas e ganhos (v. 4-6): Na vida, nós temos velórios e casamentos. Despedidas e reencontros, doenças e curas, ofensas e perdão.

Acredito que todos nós já experimentamos um pouco dessas coisas em nossas vidas. A vida é permeada de altos e baixos. Todos nós estamos sujeitos ao prazer e à dor e simplesmente não temos como controlar isso. Às vezes, por estarmos razoavelmente felizes e confortáveis, o nosso nível de confiança na vida aumenta. Porém, não importa o quão feliz nós estejamos, mais cedo ou mais tarde nós choraremos e aí, como disse C. S. Lewis, teremos a sensação de que nossos brinquedos se quebraram.

Mas, se é assim, se a vida é tão cheia de desafios e inconstâncias do que adianta se esforçar? De que adianta lutar?

Salomão escreve nos versículos 9-10:

“Que proveito tem o trabalhador naquilo com que se afadiga? Vi o trabalho que Deus impôs aos filhos dos homens, para com ele os afligir”.

Se nada está sob o nosso controle do que adianta se esforçar?

A resposta está nos versículos 11 e 12.

Ponto #2. Deus estabeleceu o tempo e podemos confiar em sua soberania (v. 11):

Deus é soberano e senhor do tempo. Ele encaixou todas as coisas de uma maneira bela. Além disso, Deus colocou no ser humano um desejo de entender como as coisas funcionam, o porquê de certas coisas acontecerem. O homem olha para essas inconstâncias da vida e espera que exista algo além do mundo físico. Ele enfrenta a dor e o mal e espera que as coisas sejam endireitadas. Ele experimenta o prazer e a alegria e espera que elas sejam potencializadas.

Tudo isso evidencia o que o versículo 11 diz: Que Deus pôs a eternidade no coração do homem. O mistério da inconstância do tempo é respondido com o mistério da eternidade. Mas sabemos que Deus organizou tudo de maneira formosa e podemos confiar Nele. Não precisamos temer ou ficar ansiosos.

Ponto #3. Precisamos viver o momento (v. 12-13):

Precisamos viver o momento e esquecer nossas insatisfações: Existe uma canção de Renato Teixeira e Almir Sater que diz o seguinte:

“Todo mundo ama um dia, todo mundo chora. Um dia a gente chega e no outro vai embora. […] Conhecer as manhas e as manhãs no sabor das massas e das maçãs. É preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz pra poder sorrir, é preciso chuva para florir. Penso que cumprir a vida seja simplesmente compreender a marcha e ir tocando em frente”.

O que esta canção ilustra é que precisamos valorizar mais o momento. Ou seja, aquilo que achamos que é pequeno e desprezamos como o sabor das massas e das maçãs. Precisamos iludir nossas inquietações com a vida, lembrando que ela nos proporciona coisas belas, e que essas coisas compensam o sofrimento. O melhor é compreender isso e ir tocando em frente. Deus nos presenteia diariamente com novidades, mas às vezes não percebemos. Precisamos nos lembrar também de que nossa casa não é aqui neste mundo. Precisamos viver olhando para a nossa casa eterna. C. S. Lewis escreve:

“A doutrina cristã do sofrimento explica, suponho, um fato muito curioso no que tange ao mundo em que vivemos. A felicidade e a segurança consolidadas que todos almejamos, Deus as retém de nós pela própria natureza do mundo, mas a alegria, o prazer e a diversão Ele os dispersou por toda parte. Nunca estamos seguros, mas temos muita diversão e poucos momentos de enlevo. Não é difícil ver por quê. A segurança pela qual ansiamos nos ensinaria a depositar nosso coração neste mundo e seria um obstáculo ao nosso retorno para Deus. Alguns momentos felizes de amor, uma paisagem, uma sinfonia, uma reunião animada com os amigos, um mergulho ou uma partida de futebol não têm essa tendência. Nosso Pai nos dá alívio na jornada com algumas pousadas agradáveis, mas não irá nos encorajar a confundi-las com o nosso lar” (O problema do sofrimento).

É isso. Estamos cercados de incertezas e não temos felicidade e segurança garantidas. Porém, nossos esforços não são em vão, pois, por mais que não tenhamos controle sobre o tempo,

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1. Deus é bom e controla o tempo em nossas vidas de maneira amorosa.

2. A beleza da vida está em coisas que achamos pequenas.

Na vida, portanto, não apenas vamos ver essas oscilações acontecerem a outras pessoas, mas também precisaremos ser agentes de Deus para chorar com os que choram e nos alegrar com os que se alegram.

Podemos ter paz em Deus, pois a Bíblia nos diz que, em Cristo, embora passemos por sofrimentos, “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8.28).

Além disso, sabemos que virá o tempo em que o nosso Senhor Jesus Cristo voltará e colocará todas as coisas no seu devido lugar. Toda lágrima será enxugada e teremos alegria infinita!

Que nós sempre lembremos que a inconstância do tempo deve nos ensinar a depender e a confiar na soberania de Deus.

Jonathan Silveira é graduado em Direito pela Universidade São Francisco e mestre em Teologia pelo programa Master of Divinity da Escola de Pastores da Primeira Igreja Batista de Atibaia. É casado com Carrie, membro na Igreja Batista da Palavra, em São Paulo, trabalha na área de produção editorial e marketing em Edições Vida Nova e é fundador e editor do site Tuporém.

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