Por que os protestantes se convertem ao catolicismo? – Parte II: A psicologia da conversão | Brad Littlejohn

São Pedro Penitente, de Jusepe de Rivera.

Introdução

Introduzimos em nosso primeiro texto a “conversionite”, fenômeno das recentes deserções protestantes para Roma (ou Oriente), cujo impacto é maior do que meros números podem sugerir. A disseminação dessa tendência é evidente sobretudo em estruturas de plausibilidade inconstantes: antes um evento dramático, agora as conversões evangélicas a Roma (ou o Oriente) ou a leitura sobre o testemunho de conversão dessas pessoas parece algo perfeitamente natural. Para o evangélico inteligente, insatisfeito com a religião de seus pais, mas muito fiel para se rebelar de um modo mais dramático, a Igreja Católica quase se tornou uma opção padrão – algo ao menos a ser considerado e combatido, mesmo que ele por fim rejeite a conversão.

Para entender esse fenômeno, argumentamos que o melhor lugar para iniciar não é com as reivindicações teológicas estabelecidas há séculos na linha de frente dos debates entre protestantes e católicos, os quais muitos convertidos utilizam à primeira vista ao narrarem suas próprias trajetórias. Antes, o lugar correto para iniciar é onde a maioria das conversões começa: na alma. Portanto, nesse artigo considerarei os três principais motivos psicológicos que parecem atrair muitos evangélicos, especialmente os mais jovens, ao Catolicismo Romano.

Agora, aos destacar esses motivos psicológicos, certamente irritarei algumas pessoas – em vez de enfrentar as questões teológicas difíceis desde o início, dirão que eu estou sendo falacioso ao psicologizar o processo de conversão para que ele seja mais facilmente descartado ou que eu estou degradando a experiência de conversão ao retratá-la como fundamentalmente irracional. Este não é nosso propósito. Por um lado, começamos nesse ponto simplesmente porque, seja a conversão do protestantismo para Roma ou de Roma ao protestantismo, ou do hinduísmo ao cristianismo, a literatura sobre conversão demonstra que motivos puramente intelectuais raramente são os mais decisivos. De fato, como Newman reconheceu, a conversão é um ato da pessoa como um todo e não apenas uma transformação do intelecto. Segundo, destacar esses motivos mais profundos é na verdade uma tentativa de levar a sério as narrativas de muitos convertidos. Um tema comum entre aqueles que se convertem a Roma ou lutam com isso é criticar o “gnosticismo” protestante e celebrar as formas pelas quais Roma supriu seus anseios espirituais que o evangelicalismo não pôde suprir, proporcionando adoração ao corpo e alma como um todo e não apenas à mente. Por fim, meu objetivo aqui não é minimizar o apelo real de Roma, mas antes destacar o desafio que pastores e professores devem enfrentar. Como dissemos na parte I, “se o protestantismo evangélico não pode sustentar e satisfazer as almas e os corpos de seus seguidores, dificilmente podemos reclamar quando eles procuram outro lugar”.

As principais necessidades psicológicas que conduzem às conversões podem ser efetivamente resumidas em três tópicos: Fome de Autoridade, Transtorno do Déficit de Santidade e o Anel Interno.

1. Fome de autoridade

Vivemos em uma época de lares desfeitos e famílias destruídas, como muitos pastores cansados ​​podem atestar, e as estatísticas sombrias se corroboram isso. Mesmo para aqueles de nós que tiveram a sorte de ter sido criados em lares estáveis, sob os cuidados de uma mãe e a vigilância cuidadosa de um pai, não podemos deixar de sentir a fragilidade desses dons primordiais, sem os quais murchamos ou vagamos sem rumo e famintos. Embora a revolução tecnológica e a revolução social tenham mudado profundamente os papéis tradicionais de maternidade e paternidade, este último certamente sofreu o maior impacto. A estreita ligação biológica de mãe e filho é suficiente para garantir que a maioria das crianças cresça com algum tipo de vínculo significativo com suas mães, mas os pais podem se desvencilhar mais facilmente e, sem a restrição de normas sociais e legais rígidas, geralmente o fazem. Essas restrições evaporaram nos últimos anos, e a ausência de paternidade é uma verdadeira epidemia de nossa era.

Até mesmo os pais que permanecem fielmente em seus postos hoje lutam para discernir e ocupar sua vocação paterna em um mundo que parece estar em revolta contra a própria noção de paternidade e tudo o que ela representa: estrutura, governo, hierarquia, autoridade, continuidade com o passado, coragem em resposta a ameaças externas e firmeza em resposta ao caos interno. Conheço várias histórias de convertidos a Roma com verdadeira fome de pai em seu passado, homens e mulheres procurando a igreja para preencher um vazio pessoal profundo em suas próprias vidas. Mas, além dessas histórias, que podem ser casos isolados, o fato é que estamos todos – como sociedade, como cultura e como igreja, em um estado de fome de autoridade autêntica. Ainda temos governo porque os seres humanos não podem viver sem ele, mas não temos governadores; trocamos terapeutas e burocratas por líderes, e nos dizem que devemos rejeitar como “tóxicas” as virtudes com as quais desejamos preencher esse vazio.

Ainda assim, como tudo isso se relaciona com a conversão? De qualquer forma, a Igreja Católica enfatizou historicamente seu caráter materno – “Igreja Mãe”, personificada na teologia católica pela Virgem Maria – e, sem dúvida, outro ensaio poderia ser escrito sobre as maneiras pelas quais o catolicismo romano preenche um vazio materno para muitos indivíduos modernos que lutam para compreender o significado de maternidade e feminilidade. Ainda assim, não há como fugir do fato de que os padres são tratados como “Pai”, e o próprio “Papa” significa “Papai”. Para muitos convertidos, esses não são apenas títulos, mas respostas centrais para a fome que os leva a Roma. A Igreja Católica certamente procurou minimizar a ideia de “hierarquia” desde o Vaticano II, mas isso fala à maioria dos convertidos que estão entre os conservadores ou tradicionalistas que desejam reverter essa tendência – e se eles estão frustrados com o Santo Padre Francisco que está no topo dessa hierarquia agora é porque parece que ele não tem firmeza patriarcal.

Santo Ambrósio proíbe o imperador Teodósio de entrar na Catedral de Milão (Anthony van Dyck)

Na raiz de muitas narrativas de conversão está uma busca desesperada por autoridade em uma época que praticamente colocou essa palavra na lista negra. Naturalmente, a autoridade é inevitável, bem como absolutamente essencial à agência e à liberdade humanas. Não podemos ser livres – isto é, não podemos agir de maneira significativa, exceto em resposta a algum tipo de convocação que nos aponta para algum bem; e não podemos manter a liberdade diante do desejo desordenado sem algum tipo de estrutura que nos mantenha em nosso caminho em direção a esse bem. A sociedade ocidental em geral, e o protestantismo ocidental em particular, falharam de modo abismal nas últimas décadas em fornecer formas de autoridade que podem nos direcionar para o bem e nos sustentar em sua busca. A autoridade da Igreja Católica Romana, argumentaram os reformadores, é uma espécie de falso simulacro de autoridade, um atalho em vez de algo real, já que anula a liberdade ao invés de sustentá-la; ao invés de guiar a alma em busca do bem, a hierarquia alega possuir o bem, de modo que os leigos possam simplesmente descansar em obediência – aprendendo a doutrina se forem muito inclinados a isso, porém confiando implicitamente, se preferirem.

Mas quando a glória da real autoridade se retira de nossas igrejas, dificilmente podemos nos surpreender quando imagens falsas dela são trazidas para substituí-la, ou quando nosso povo sai para adorar nos lugares altos, onde pelo menos eles podem se sentir na presença de algo maior e superior a eles.

2. Transtorno do déficit de santidade

Isso leva naturalmente à consideração do próximo motivo, que poderíamos chamar de “Transtorno do Déficit de Santidade”. Esse distúrbio é provavelmente tão familiar para muitos de nós que não precisa de exposição prolongada. É simplesmente fato que poucas de nossas preciosas igrejas protestantes dão a seus adoradores uma sensação de estar na presença do sagrado, um senso de ascensão à presença do Todo-Poderoso, prostrando-se diante do Seu trono para clamar: “Digno é tu, nosso Senhor e Deus, de receber glória, honra e poder, pois tu criaste todas as coisas e por sua vontade elas existiram e foram criadas” (Ap 5.11).

Em parte, o protestantismo é vítima de seu próprio sucesso, vítima por tomar uma poderosa verdade do evangelho e enfatizá-la de maneira isolada de todo o restante da narrativa bíblica. Martinho Lutero proclamou o glorioso evangelho da graça, tendo como pano de fundo a suposição de que nosso Deus era um fogo consumidor, em cuja presença o pecado não podia subsistir. Foi precisamente por isso que nossa única esperança estava na justiça externa de Cristo, o Cordeiro que permaneceu em nosso lugar na presença do Todo-Poderoso, a veste com a qual ficamos protegidos da ira de Deus. Por fim, nos acostumamos tanto à noção chocante de que um Deus Santo podia perdoar pecadores imundos que esquecemos que havia algo particularmente estranho nisso. Certamente, como ensina a teologia moderna, já que Deus é amor, Ele ama a presença de Suas criaturas, por mais manchadas que possam estar? Em vez de ficarmos confiantes diante Dele e vestidos com a justiça de Cristo, passamos despreocupadamente à sua presença com shorts de ginástica e um expresso com leite. Lembramo-nos de Hebreus 12.18: “Ainda não chegastes ao monte palpável e em chamas, à escuridão, às trevas, à tempestade” e esquecemos de Hebreus 12.28-29: “assim, ofereçamos a Deus adoração aceitável, com reverência e temor, pois nosso Deus é um fogo consumidor.”

A maioria das igrejas evangélicas, na ânsia de tornar Deus amigo dos interessados, deixou seus fiéis se perguntando o que exatamente eles buscavam ao chegarem lá – nada, ao que parece, que eles não pudessem ter obtido numa sala de cinema ou show pop. As almas famintas vagam desesperadas por algo distinto de suas vidas ordinárias, materialistas e digitalmente saturadas, e são tratadas com shows de luzes, projetores e sermões interativos do tipo “tweet para o pastor”.

É claro que as igrejas protestantes mais tradicionais ou confessionais podem resistir aos tempos com uma insistência em adoração mais restrita, formal, séria e centrada na Palavra, mas isso também tende a contribuir para a epidemia do Transtorno de Déficit de Santidade. Os Reformadores Protestantes, com razão, chamaram a Igreja de volta à adoração centrada na Palavra, em uma época que estava positivamente faminta do alimento vivificante das Escrituras, mas enfatizavam igualmente a importância dos sacramentos. Toda criança entrou na Igreja através do mistério do batismo e a Eucaristia. Na igreja medieval isso era reservado quase inteiramente ao clero, mas foi trazido de volta ao centro do culto, idealmente como um ritual semanal para toda a comunidade dos fiéis (embora, na prática, a maioria das comunidades não tenha conseguido se adaptar a uma noção tão radical, e a Comunhão [Eucaristia] evoluiu marginalmente apenas para um ritual mensal ou trimestral). Os reformadores trabalharam incansavelmente em liturgias que levariam todo o corpo de crentes juntos na jornada de ascensão à presença de Deus a cada semana: através de confissão e absolvição, adoração e instrução e, finalmente, regozijando-se diante do trono de Deus. O delicado equilíbrio que eles lutavam para alcançar entre mente e corpo no culto, entre o individual e o corporativo, entre Palavra e Sacramento, desmoronou em grande parte no tumultuoso e democratizante solvente dos Estados Unidos, e poucas igrejas foram capazes de encontrar o caminho de volta a ela.

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Vivemos cada vez mais em um mundo de métodos, protegido de qualquer coisa que não seja fabricada por camadas de tecnologia, envolto em nosso próprio condicionamento. Faz 125 anos desde que Gerard Manley Hopkins escreveu:

“Tudo está manchado de comércio; manchado, manchado de labuta;
E usa a mancha do homem e compartilha o cheiro do homem: o solo
está vazio agora, nem o pé pode sentir, estando calçado”

E nosso desapego do mundo carregado com a grandeza de Deus se intensificou na alienação. Assim como estamos cada vez mais famintos por uma autoridade que não é de nossa própria autoria, estamos cada vez mais famintos por experimentar uma realidade que é verdadeiramente distinta – antes, além e acima de nós: em resumo, uma experiência do sagrado. Movidos por essa fome, muitos evangélicos entram em uma missa católica e ouvem pela primeira vez o canto num santuário, veem pela primeira vez o partir reverente do pão, sentem pela primeira vez como é se curvar humildemente na presença de Deus. Eles são compreensivelmente cativados. Sentem ali uma santidade que preenche uma lacuna e estão convencidos de que esse o alimento da alma que procuram há anos.

Segundo os reformadores, a beleza da santidade em que Roma glorificava naquela época era apenas uma fachada pintada, um simulacro de algo real. Em vez de revelar o sobrenatural na natureza, o extraordinário no comum, sua transubstanciação só poderia substituir o pão e o vinho por substâncias celestes. Em vez de conceder ao crente fiel acesso ao Santo dos Santos para banquetear-se diante do Senhor, eles o deixaram nos átrios externos olhando fixamente para a cerimônia enquanto a classe sacerdotal intercedia em seu favor e trazia alguns pedaços de graça para sustentá-lo em sua cansada peregrinação. Assim, em vez de convidar o crente a piscar atordoadamente na luz ofuscante da presença de Deus, revestida na justiça de Cristo, eles o encorajaram a descansar contente com um acesso mediado, vestido com o legado dos santos e apóstolos.

3. O círculo íntimo

As duas primeiras razões que consideramos aqui são, de fato, desejos elevados e louváveis. Não podemos deixar de simpatizar com a fome de autoridade paterna e santidade autêntica que leva muitos a sair do protestantismo. A motivação final é talvez mais ordinária, mas atire a primeira pedra quem não tiver esse pecado. Trata-se do fenômeno psicológico quase universal que C. S. Lewis diagnosticou apropriadamente em seu brilhante ensaio “O Círculo Íntimo”, incorporado no caráter de Mark Studdock da obra Uma força medonha: o desejo de fazer parte de algo maior, melhor, mais influente, mais sofisticado – estar por dentro, estar a par do conhecimento, poder piscar e cutucar e compartilhar uma risada às custas daqueles forasteiros incultos e bárbaros (dos quais você pode ter feito parte há apenas cinco minutos). É claro que, como todos os desejos desordenados, o desejo pelo Círculo Íntimo nunca se realiza, pois parece sempre haver um círculo mais interno, uma camarilha de verdadeiros influenciadores entre os influentes. Mas isso não nos impede de pensar que logo na próxima curva, após o próximo avanço, teremos chegado. “Esse desejo”, escreve Lewis, “é uma das grandes fontes permanentes da ação humana […] A menos que você tome medidas para evitá-lo, esse desejo será um dos principais motivos de sua vida, desde o primeiro dia em que você começar em sua profissão até o dia em que você estiver velho demais para se importar.”

Certamente não é muito caridoso notar que a Igreja Católica Romana parece quase ter sido projetada para gratificar ao máximo esse impulso humano universal. Com sua complexa hierarquia do clero regular, desde o pároco comum até o conclave de cardeais e a cúria papal, sem mencionar as miríades de pequenas hierarquias de sua miríade de ordens monásticas, cada uma com seu próprio círculo interno, com seu amor pelo segredo e pelo mistério, com sua ascensão graduada da santidade, do catecumenal ao santo, à própria Virgem Maria, a Igreja Católica Romana tem mais anéis dentro dos anéis do que o modelo Ptolomaico do cosmos. Contra tudo isso, os reformadores protestaram ferozmente com seu radicalmente nivelador “sacerdócio de todos os crentes”. O Vaticano II pareceu concordar de má vontade com grande parte desse protesto quatro séculos depois, de modo que, se a Igreja Católica ainda esconde camadas de segredo e hierarquia, isso é visto mais como um erro do que como uma característica de muitos católicos modernos.

No entanto, no cenário religioso e político americano, o catolicismo capturou o Círculo Íntimo de uma nova maneira durante a geração passada. Há pouco tempo, marginalizado na vida pública americana (John F. Kennedy teve que rejeitar seu catolicismo para concorrer à presidência), os católicos romanos subiram rapidamente ao auge da liderança cultural, intelectual e política – tanto entre liberais quanto conservadores. A mudança é vividamente simbolizada na composição da Suprema Corte, que desde 2010 carece de um único magistrado protestante e que atualmente tem seis juízes católicos e três judeus ocupando as cadeiras da Corte[1]. Entre políticos e religiosos conservadores intelectualmente importantes, escritores e instituições católicas saltaram para posições de liderança, desde a revista First Things a Robert George e Ryan Anderson. Amigos evangélicos que trabalham na política conservadora em Washington D. C. me dizem que quase todos os seus colegas de trabalho são católicos, muitos deles recém-convertidos.

Parte dessa mudança, sem dúvida, é uma consequência real do “escândalo da mente evangélica” comentado na Parte I. O protestantismo nos Estados Unidos sofreu um declínio intelectual precipitado no século passado, e nos deparamos procurando em vão ao nosso redor por vozes protestantes sérias, ponderadas e historicamente fundamentadas para enfrentar o caos na praça pública e as confusões éticas de nosso momento contemporâneo. Os católicos romanos, em grande parte porque foram forçados a desenvolver instituições robustas em seus anos de exílio da vida pública americana, resistiram consideravelmente ao declínio e parecem agora se elevar sobre o horizonte (muito embora que, do ponto de vista da história intelectual cristã, eles mesmo sejam comparativamente menores).

No entanto, não acho que isso seja uma explicação completa. Existem intelectuais protestantes autênticos por aí, bem como vigorosas instituições protestantes de ensino. Mas vamos ser sinceros – eles simplesmente não são tão espertos, atraentes ou sofisticados quanto seus colegas católicos. Muitos deles estão manchados por associação com o passado “fundamentalista” que tentaram abandonar e, de fato, o perfil do convertido católico típico inclui algum tipo de passado “fundamentalista”. Para muitos jovens evangélicos que vão para a faculdade, deparam-se com sua fé sob ataque e se apegam demais a Jesus para se afastar dela, o catolicismo romano oferece uma solução atraente para sua vergonha por sua educação religiosa anti-intelectual e pouco sofisticada: eles podem permanecer fiéis, mas inteligentes, conectados a algo maior, melhor, mais sofisticado, mais conectado à história. Se eles vão para a pós-graduação, a pressão se intensifica. Como um intelectual protestante de longa data de Washington D. C. me confidenciou: “O fato é que, se você está em Yale ou Princeton, é mais do que ilegal ser um protestante evangélico conservador; você será marginalizado e perseguido. Mas ainda é, pelo menos por enquanto, aceitável ser um católico conservador. Então, se você quer permanecer conservador, é isso que você se torna.”

Dentro da burocracia estatal, ou das instituições que a alimentam, essa pressão se intensifica ainda mais. Novamente, as razões são complexas e tratarei mais delas na Parte IV desta série, mas nesta fase da vida política de nosso país, se você quiser ser um conservador cristão com algum tipo de acesso às alavancas do poder, algum tipo de influência para ajudar a manter nosso país nos trilhos, o catolicismo romano promete sua melhor chance de acesso a esses cobiçados corredores internos.

Historicamente, é claro, tudo isso é bastante anômalo: os protestantes estiveram na vanguarda da vida intelectual e da política europeia durante o início do período moderno. Até mesmo as cortes católicas, como a da França, estavam repletas de importantes conselheiros e pensadores que eram muito mais propensos a serem protestantes. Objetivamente falando, o protestantismo pode estabelecer suas contribuições à teologia, filosofia, ciência, direito, política e arte ao lado de qualquer outra tradição religiosa e manter sua cabeça erguida. Mas hoje, nos Estados Unidos, ser protestante parece tão plebeu, tão comum, tão chato, e aqueles que querem realizar algo significativo no mundo, ou no reino, naturalmente buscam Roma em busca de afirmação e acesso a algo mais elevado.

Conclusão

Cada uma dessas três razões – fome de autoridade, distúrbio de déficit de santidade e o círculo íntimo, são fortes atrações psicológicas. Cada uma delas apela visceralmente a algo fundamental para a condição humana, e cada uma delas responde a uma profunda falta sentida, real ou imaginada, no protestantismo anglo-americano contemporâneo. Embora todos elas, em minha opinião, sejam, no final das contas, mal orientadas, nenhuma delas deve ser considerada superficial. Pastores e professores devem esperar encontrá-las e ter boas respostas para elas. Mas isso não é suficiente. O protestantismo americano precisa olhar atentamente no espelho e se perguntar por que está tão longe de oferecer estruturas significativas de autoridade, experiências autênticas de santidade e o tipo de liderança cultural e sofisticação intelectual que atrai os melhores e os mais brilhantes. O protestantismo já se vangloriou dessas coisas uma vez, e eu acredito que ele pode contribuir com todas essas áreas, mesmo em nossa era desencantada. Mas isso exigirá trabalho duro e autoexame, e, o mais importante, recuperação de um temor saudável do Senhor.

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[1] Neil Gorsuch é uma possível exceção, dependendo de como se define os termos.

Traduzido por Tiago Silva e revisado por Jonathan Silveira.

Texto publicado em parceria com The Pilgrim e The Davenant Institute.

Texto original: Why Protestants Convert, Pt. 2: The Psychology of Conversion.

Brad Littlejohn serve como Presidente do Instituto Davenant e Professor Assistente Visitante de Teoria Política no Patrick Henry College. Seus interesses de pesquisa incluem teologia e ética política cristã – particularmente nas áreas de direito e economia – e teologia histórica, com foco em estudos da Reforma e o pensamento do reformador inglês Richard Hooker.
Nesta obra equilibrada, Allison ajuda o leitor a compreender as sutilezas do ensino católico romano e, ao examinar, seção por seção, o Catecismo da Igreja Católica, avalia a doutrina católica da perspectiva da Escritura e da teologia evangélica.

Ao tratar das semelhanças significativas sem deixar de analisar as diferenças importantes que dividem os dois sistemas, Teologia e prática da Igreja Católica Romana prepara os cristãos evangélicos e católicos para se engajarem em um diálogo honesto e produtivo.

Publicada por Edições Vida Nova.

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3 Comentários

  1. Otávio Rodrigues disse:

    Gostei das informações do artigo sobre a conversão de protestante ao catolicismo, da importância na vida do cristão quanto ao ambiente em favorecer a reverência o respeito à presença divina, esse deseno do ser humano de ser amparado por Deus.

  2. Arthur Olinto disse:

    Por que é tão difícil de entender que os protestantes que converteram-se ao catolicismo estão convencidos que estão certos? Por que ficar apelando às explicações psicológicas, numa espécie de falácia genética? Eu era anglicano: tornei-me católico há 7 anos e foi a melhor decisão que tomei na minha vida. Os sacramentos, longe de me afastarem da fé, servem como um catalisador para o meu amor por Jesus. Somente quando os protestantes estudarem o catolicismo a fundo é que poderemos ter uma discussão de fato, com ambos os lados dominando todos os pontos da questão que nos divide há 500 anos. Por vezes, a discussão católico x protestante, não passa de contínuos protestos dos católicos aos irmãos protestantes, afirmando que as suas críticas são injustas e baseadas num espantalho da Teologia Católica. No mais, as conversões ao catolicismo não podem ser mais ignoradas e tenderá a se tornar mais comum no meio evangélico, angariando intelectuais protestantes nos próximos anos. Enquanto os maus católicos, os quais não conhecem a doutrina nem as razões da sua fé, tornam-se protestantes; os bons evangélicos, convertem-se ao catolicismo. A diferença de nível é gritante e o assunto não pode ser mais tratado de modo superficial por nenhum dos lados, o que resultará no enriquecer do diálogo ecumênico.

  3. Ana Julia disse:

    Ótimo artigo, esperando a tradução da pt 3 e pt 4!

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