Quem Deus diz que você é? | Jonathan Silveira

Ilustração de Dorian Gray

“O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração” (1Samuel 16.7b).

É comum usarmos máscaras. Usamos máscaras para esconder as nossas imperfeições: o orgulho, a mentira, a inveja, a ira, a ganância, a idolatria, a prostituição, a lascívia etc. Sempre queremos esconder os nossos pecados das pessoas. Sempre tentamos transmitir às pessoas a imagem de que está tudo bem conosco. O pior é que as outras pessoas fazem a mesma coisa com a gente. Todos nós fazemos uma falsa propaganda de quem realmente somos. É uma falsidade mútua. Enganamos e somos enganados.

O problema com esse comportamento é que, além de causar mal a nós mesmos, pecamos contra Deus. As pessoas podem olhar para nós e pensar que somos os mais santos do mundo. Mas Deus, que conhece o profundo de nosso ser, sabe que isso é pura fachada. As pessoas dizem que você é realmente um filho de Deus, santo. Mas, quem Deus diz que você é?

No livro, O Retrato de Dorian Gray, o escritor Oscar Wilde nos conta a respeito de um rapaz chamado Dorian Gray. Dorian era jovem e belo. Era tão belo que seu amigo Basil Hallward resolve pintar o seu retrato. Dorian fica tão apaixonado por sua imagem na pintura, que diz:

“Como é triste! Eu vou ficar velho, horrível, pavoroso. E este quadro permanecerá jovem, para sempre. Não envelhecerá um dia além deste dia específico de junho… Ah, se fosso o contrário! Se fosse eu a permanecer jovem para sempre, se fosse o quadro a envelhecer! Eu daria… eu daria tudo por isso! É isso mesmo, não há nada neste mundo que eu não daria em troca! Daria até mesmo minh’alma!” (Oscar Wilde. O retrato de Dorian Gray. Clássico Abril Coleções. Vol. 4. p. 43).

Acontece que o desejo de Dorian é atendido e, enquanto sua imagem no quadro envelhece, ele continua belo e jovem. Ele então usa a sua beleza para conseguir que seus desejos carnais se realizem. Ele entrega-se totalmente à luxúria, ao orgulho, à inveja e até chega a cometer assassinato. Mas, sempre que comete um pecado, sua imagem no retrato deforma-se cada vez mais. Como não para de pecar, sua imagem no quadro se torna um monstro. Com medo que outras pessoas vejam o quadro, ele trata de escondê-lo no sótão abandonado de sua casa. A imagem monstruosa e velha no quadro é a alma vendida de Dorian. Porém, externamente, Dorian continuava belo e jovem.

A história de Dorian Gray faz com que a gente se lembre dos fariseus, os quais Jesus sempre criticava. Em uma ocasião, Jesus disse a eles:

“Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês são como sepulcros caiados: bonitos por fora, mas por dentro estão cheios de ossos e de todo tipo de imundície” (Mateus 23.27 – NVI).

É comum nos comportarmos como Dorian. É comum nos comportarmos como sepulcros caiados. Sempre tentamos esconder a nossa alma das pessoas. Vamos à igreja simplesmente para “bater o cartão de ponto” para que as pessoas não comecem a desconfiar que estamos desviados, em pecado. Vamos à igreja para mostrar ao pastor que está tudo bem: “Tá vendo só, pastor? Eu estou frequentando a igreja. Veja como eu não falto aos cultos e canto bem os louvores! Está tudo bem comigo!”. Vestimos a nossa máscara de Dorian Gray ou a nossa fantasia de sepulcro caiado antes de irmos à igreja e nos apresentarmos perante as pessoas.

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No livro de Apocalipse, Jesus fala a sete igrejas. Entre essas igrejas, existia uma que estava localizada na cidade de Laodiceia. A cidade de Laodiceia era uma das cidades mais ricas daquela época. Ela era orgulhosa e autossuficiente. Ela acreditava que não precisava de ajuda.

Entretanto, Jesus, ao falar à igreja de Laodiceia, diz o seguinte:

“Conheço as suas obras, sei que você não é frio nem quente. Melhor seria que você fosse frio ou quente! Assim, porque você é morno, nem frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca. Você diz: Estou rico, adquiri riquezas e não preciso de nada. Não reconhece, porém, que é miserável, digno de compaixão, pobre, cego e que está nu. Dou-lhe este aconselho: Compre de mim ouro refinado no fogo e você se tornará rico; compre roupas brancas e vista-se para cobrir a sua vergonhosa nudez; e compre colírio para ungir os seus olhos e poder enxergar. Repreendo e disciplino aqueles que eu amo. Por isso, seja diligente e arrependa-se. Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo” (Apocalipse 3.15-20 – NVI).

A aparência é nada. O que vale mesmo é um coração quebrantado e cheio do Espírito de Deus. Jesus está à porta e bate. Ele quer entrar para conhecer e limpar o seu sótão, lá onde você esconde a sua alma.

Jonathan Silveira é graduado em Direito pela Universidade São Francisco e mestre em Teologia pelo programa Master of Divinity da Escola de Pastores da Primeira Igreja Batista de Atibaia. É casado com Carrie, membro na Igreja Batista da Palavra, em São Paulo, trabalha na área de produção editorial e marketing em Edições Vida Nova e é fundador e editor do site Tuporém.

1 Comentário

  1. Josi Almeida disse:

    Concordo. Muito bom

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