Ser cristão é andar na contramão | Jonathan Silveira

“O que as pessoas vão pensar quando ouvirem que eu sou um maluco por Jesus?

O que as pessoas vão fazer quando virem que isso é verdade?

Eu não me importo se eles me rotulam de Maluco por Jesus

Pois não há como esconder a verdade 

As pessoas dizerem que sou estranho faz de mim um estranho?

Meu melhor amigo nasceu em uma manjedoura”.

– dc Talk, “Jesus Freak”

Ser um seguidor de Jesus é ser um “maluco”, alguém que é diferente do padrão do mundo. Se dizemos que somos cristãos, mas ninguém que convive ao nosso redor percebe que somos cristãos, então há algum problema. O cristão é alguém que vive de maneira diferente, que anda na contramão, e as pessoas percebem.

Pensando nisso, eu gostaria de trabalhar três perguntas.

1. Por que o cristão anda na contramão?

2. Será que as pessoas sabem que você é um cristão? Será que as nossas atitudes são típicas de alguém que se diz cristão?

3. Será que você tem medo do que as pessoas vão pensar a seu respeito por ser um seguidor de Jesus? 

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1. POR QUE O CRISTÃO ANDA NA CONTRAMÃO, É ALGUÉM DIFERENTE?

Dizemos que somos seguidores de Jesus, mas Jesus é invisível e impopular. Jesus não é um tipo de celebridade que podemos seguir no Twitter e, além disso, ele ensinou coisas bastante difíceis de serem cumpridas. Por exemplo:

“Mas eu lhes digo: Qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração” (Mateus 5:28).

“Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus” (Mateus 5:44,45).

Muita gente acha os ensinamentos de Jesus e os demais ensinamentos da Bíblia bonitos, até terem que colocá-los em prática. A verdade, porém, é que os ensinamentos da Bíblia contrariam a nossa natureza pecaminosa, desagradam a nossa carne. Então, muita gente prefere continuar vivendo sem a interferência de Jesus em suas vidas. Se somos seguidores de Jesus, a Bíblia é o nosso manual de vida e, quando vivemos o que esse manual de vida nos ensina, nosso estilo de vida nos faz diferentes do mundo. A Bíblia nos ensina que a nossa identidade não pode ser confundida com a do ímpio.

Romanos 12.2: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

Existe uma filosofia de vida no mundo que é destruidora e não podemos nos submeter a ela (o mundo jaz no maligno). Nosso estilo de vida não pode ser confundido com as práticas do mundo. Existe um contraste muito grande entre o filho de Deus e o ímpio. No próprio texto de Romanos, Paulo nos mostra isto. Há um contraste entre as palavras “conformar” e “renovar”. A mente conformada é uma mente obscurecida pela filosofia do mundo. O conformismo nos faz aprovar e praticar as ações do mundo. Começamos a pensar que nosso estilo de vida é aceitável, normal. Isso nos impede de vivermos a boa vontade de Deus. Uma mente mundana, conformada, é como um espelho empoeirado: enquanto ele não for limpo de toda a sujeira, não poderá refletir a luz do sol.

Então, um cristão não se adequa aos padrões deste mundo. Este mundo, na verdade, é apenas um lugar de passagem. Somos forasteiros.

2. SERÁ QUE AS PESSOAS SABEM QUE VOCÊ É UM CRISTÃO? SERÁ QUE AS NOSSAS ATITUDES SÃO TÍPICAS DE ALGUÉM QUE SE DIZ CRISTÃO?

Um exemplo de homem temente a Deus e que não se conformou com este mundo é Daniel. No capítulo 1 de Daniel, vemos que o rei Nabucodonosor estava à procura dos melhores homens para servirem na Corte. Daniel, Hananias, Misael e Mesaque foram escolhidos.

Daniel 1.8: “Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se”.

A comida e a bebida que Daniel recusou não eram preparadas de acordo com a lei e, provavelmente, eram consagradas a ídolos. Daniel decidiu não se envolver com o mundo. Daniel foi ousado e andou na contramão. Ele foi fiel a Deus.

Será que faríamos a mesma coisa no lugar de Daniel? Honraríamos a Deus? Ficaria claro para o rei que somos tementes a Deus? Imagine se seu patrão pedisse para você fraudar alguém, um cliente. Ou então se o professor substituto deixasse você colar na prova do professor que precisou se ausentar. Qual seria a sua reação?

1João 2.15 diz: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo”.

Deus quer que sejamos santos, que sejamos separados do mundo. As pessoas saberão que somos cristãos com a nossa santidade e piedade.

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Que sentido faz eu dizer que torço para o Palmeiras, mas me comporto como um torcedor do Corinthians? Visto a camisa do Corinthians, me sento na arquibancada do Corinthians no estádio etc. Se sou palmeirense, essa minha identidade deve ficar clara a todos. Do mesmo modo, se somos filhos de Deus, temos que vestir a camisa de Cristo e não a do mundo. De nada adianta dizermos que somos cristãos se nossas atitudes não demonstram isso.

Deus é glorificado em nossas vidas quando nossas atitudes, nossa identidade, influenciam outras pessoas e a nossa cultura. Jesus disse que devemos ser sal. O sal dá sabor ao alimento. Sem sal, o alimento fica sem graça, sem sabor. O que será do mundo sem nós? Nós, por meio da capacitação do Espírito Santo, somos os responsáveis em dar algum equilíbrio a este mundo caído e isso acontece ao andarmos na contramão.

Não é fácil andar na contramão, mas é bom. Como G. K. Chesterton disse uma vez: “Uma coisa morta pode seguir a correnteza, mas somente uma coisa viva pode contrariá-la”.

Ao andarmos na contramão, indica que estamos vivos, que estamos lutando. Ao andarmos na contramão, pessoas se esbarram em nós, mas é nessa circunstância que devemos deixar a marca de Cristo em outras pessoas. Nadar contra a correnteza impede que a correnteza cresça. Traz um equilíbrio.

3. SERÁ QUE VOCÊ TEM MEDO DO QUE AS PESSOAS VÃO PENSAR A SEU RESPEITO POR SER UM SEGUIDOR DE JESUS?

Muitas vezes na escola e na faculdade eu tive vergonha de dizer que era cristão. Por que será que fazemos isso? Paulo escreve em Romanos 1.16-17:

“Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá pela fé”.

Se realmente entendemos quem é Jesus e o que Ele fez por nossas vidas, não devemos nos envergonhar o evangelho.

Em Atos, vemos que os apóstolos tinham tanto orgulho de serem cristãos que estavam prontos a sofrerem grande violência por causa disso.

Atos 5.40-42: “Chamando os apóstolos, açoitaram-nos e, ordenando-lhes que não falassem em o nome de Jesus, os soltaram. E eles se retiraram do Sinédrio regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome”.

Em contraste com essa cena de Atos, nós também nos deparamos com Pedro que negou a Jesus por três vezes. Pedro, porém, foi restaurado e se tornou um grande apóstolo.

Se realmente entendemos quem é Jesus e o que Ele fez por nossas vidas, não devemos nos envergonhar do evangelho. Isso faz parte de andarmos na contramão.

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Muitas pessoas dizem que não se adequam aos padrões do mundo moderno e se revoltam, criando suas ideologias. Quando essas pessoas fazem isso, porém, estão fazendo por motivos que pertencem a este mundo. Com os cristãos é diferente. Dizemos que não nos adequamos aos padrões do mundo moderno porque sequer pertencemos a este mundo. Somos apenas forasteiros e peregrinos por aqui.

Devemos olhar para o eterno, para a cruz de Cristo. Cristo entregou sua vida por nós, pagou um alto preço, para que vivêssemos de um modo digno daquilo que Ele nos ensinou (Ef 4.1), para que não nos conformássemos com este mundo, mas que fôssemos sal, o tempero dele.

É fácil fazer isto? Não é. C. S. Lewis uma vez disse: “Se eu fosse te recomendar uma religião para lhe fazer sentir confortável certamente não lhe recomendaria o Cristianismo”. A verdade nem sempre é fácil.

Seja sal na sua escola, no seu trabalho, na sua família. Viva uma vida santa para Deus e não deixe sua identidade ser confundida com a do mundo. Ser cristão é andar na contramão.

Jonathan Silveira é graduado em Direito pela Universidade São Francisco e mestre em Teologia pelo programa Master of Divinity da Escola de Pastores da Primeira Igreja Batista de Atibaia. É membro na Igreja Batista da Palavra, em São Paulo, trabalha na área de produção editorial e marketing em Edições Vida Nova e é fundador e editor do site Tuporém.

4 Comentários

  1. Rosilva disse:

    Muito boa essa mensagens!
    Obrigada, pessoas como vcs, nos ajuda muito, pois nem sempre entendemos o que lemos na Bíblia

  2. Deus seja louvado pela tua vida,que vc continue espalhando esse conhecimento profundo,
    E que crianças,jovens,adultos e idosos venham ser alcançados através dessas palavras!

  3. muito obrigado por esta linda mensagem eu a prendi muita coisa desta palavra linda

  4. leila disse:

    muito obrigado pela informação

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