Uma catequese para uma era secular | Timothy Keller e James K. A. Smith

Assembleia de Westminster (John Rogers Herbert)

E se o bem comum dependesse de conversões?

Este artigo foi publicado em 1 de setembro de 2017 na revista “Comment”, uma publicação da CARDUS: www.cardus.ca. Texto original aqui.

Ao comemorarmos os quinhentos anos da Reforma Protestante, talvez tenha sido apropriado que nossa conversa com o pastor e autor Tim Keller tivesse retornado a temas centrais para os reformadores: o sacerdócio de todos os crentes e a importância da catequese. Nesta conversa com James Smith (leia a primeira parte de sua conversa aqui), Keller destaca a necessidade de contextualizar a formação da fé, dando atenção às histórias rivais que competem pela nossa mente e imaginação – e que se infiltram em nós muitas vezes de formas que não percebemos. Mas essa ênfase na catequese e formação não é protecionista, uma estratégia meramente defensiva para “manter os nossos”. Pelo contrário, Keller continua enfatizando a importância do evangelismo, e até do reavivamento, para a missão da igreja hoje.
– Os editores

JAMES K. A. SMITH: Nós estávamos falando sobre o que você vê como algumas das maiores necessidades da igreja hoje – aspectos que merecem uma reforma intencional e uma esperança de renovação. Nós conversamos sobre a importância do cuidado pastoral. Mas havia uma segunda área de preocupação que você queria discutir. Qual seria ela?

TIM KELLER: Eu tenho sido convencido de que se você ler os vários catecismos… e aqui eu tenho que admitir que o catecismo de Heidelberg –

JS: – aquece seu coração? [risos]

TK:   Ah, sim. Mas você sabe que os presbiterianos estão cansados e não aguentam mais o pessoal de Heidelberg dizendo o quanto seu catecismo é mais caloroso e pessoal que o nosso [risos]. Mas com o Catecismo de Westminster, há uma personalidade diferente.

JS: Sim. Por outro lado, temos os Cânones de Dort, então…

TK: E eles são canhões [cannons, do inglês]. Você deveria renomeá-los como a artilharia de Dort [risos].

Agora, os catecismos nunca são simplesmente “o que a Bíblia ensina”; eles sempre foram elaborados sobre os erros que os catequistas estavam tentando combater. Para os nossos catecismos, “o mundo” era o católico medieval. Assim, eles estavam lendo a Bíblia, mas não estavam apenas dizendo de forma abstrata algo como “aqui está o que a Bíblia diz”. Eles estavam fazendo perguntas para refutar aquilo que o povo deles poderia ouvir lá fora no mundo. Hoje, não é mais o catolicismo medieval que estamos combatendo. É a narrativa do secularismo.

Assim, a melhor maneira de fazer isso – e eu aprendi um pouco disso lendo Charles Taylor – é catequizar intencionalmente tendo em vista a nossa era secular. Um ponto a ser refutado seria o ego inflado, que se resume a isso: você deve ser fiel a si mesmo, e ninguém pode dizer quem você é, e você precisa olhar para dentro de si mesmo e não basear sua compreensão ou identidade em nada externo a você mas apenas naquilo que é verdade para você. E o ego inflado está ligado ao humanismo exclusivo – que basicamente significa, no final, que você precisa ser feliz, e que a felicidade é definida como felicidade material. Assim, em última análise, você não pode mais se colocar em uma posição onde não está fazendo o que te faz mais feliz. Seria errado sacrificar sua felicidade apenas para servir alguém.

Outra faceta do secularismo que a catequese tem que combater é uma idolatria da razão e da racionalidade, que basicamente promete que a ciência e a tecnologia resolverão nossos problemas. Ontem mesmo a revista do New York Times   perguntou: Por que não podemos resolver o assédio on-line? O escritor afirmava que, você sabe, somos tecnologicamente avançados; nós temos drones subaquáticos e coisas do tipo; assim, por que não podemos resolver esse problema? Em outras palavras, ela parecia pensar que o problema do assédio on-line era um problema tecnológico e não um problema do coração humano.

Diante disso, precisamos pensar em reescrever o catecismo para uma era secular. A propósito, se é um catecismo protestante, é claro que vai ser um contraponto a muitos ensinamentos católicos romanos em muitos aspectos. Mas sinto que nossos catecismos atuais têm apenas a intenção de garantir que os catequizados não sejam católicos. Muito bom, e ótimo, porque sou protestante. Mas o problema hoje não é o catolicismo romano; são essas outras narrativas rivais.

JS: O secularismo é a água em que nadamos.

TK:   Sim. E é por isso que nossos catecismos atuais, na verdade, não “vacinam” as pessoas. Você tem filhos que estão crescendo em igrejas, e talvez eles sejam catequizados, e talvez eles frequentem o grupo de jovens, e então de repente eles dirão: “Bem, se duas pessoas se amam, eu não sei o que há de errado com isso. Por que elas não podem fazer sexo?” E então você diz: “Oh, a Bíblia diz..” Muito bem, aqui está minha pergunta: o que aconteceu? Aqui está o que aconteceu: as narrativas que dizem que você deve ser fiel a si mesmo e que ninguém tem o direito de dizer a ninguém o que fazer, e que você tem que descobrir o que te faz feliz – todas essas narrativas são incutidas muito bem por meio de músicas e seriados, e a nossa doutrinação na igreja não os fez sequer perceber que havia algo de errado com essas coisas.

Cheguei à conclusão de que temos que refazer o catecismo. Você, James, tem sido muito bom ao falar sobre o coração; você está certo sobre a liturgia. Mas há um lado voltado para a mente, e eles têm que encontrar a pregação no catecismo.

JS: Absolutamente, isso é necessário; há um ciclo de retroalimentação entre os dois. É sobre isso que se trata o Catecismo da Nova Cidade?

TK:   Na verdade não era; mas Sam Seamus e eu decidimos que a catequese não estava acontecendo em nossos círculos. Assim, nós sentimos que precisávamos dar um passo mais fundamental. Na verdade, tanto o catecismo de Heidelberg quanto o Breve Catecismo de Westminster têm um padrão elevado demais para a igreja. Eles são longos. Então, o que dissemos foi: vamos fazê-los dar um passo menor, que possa ajudá-los a subir o padrão. Na verdade, não há uma palavra no Catecismo da Nova Cidade que não tenha sido retirada do Catecismo de Calvino para Juniores, do de Heidelberg, do Breve Catecismo e do Catecismo Maior de Westminster. Não é nada além de uma destilação. E na época, a ideia de reformular um catecismo para refutar a narrativa secular estava além do que poderíamos fazer.

JS: Esse é um esforço interessante, para chegar a uma catequese mais contextualizada.

TK:   Sim. Poderia até não parecer exatamente o mesmo. Mas ainda seria uma catequese.

JS: Claro. Então, isso também ajudaria as pessoas a saberem como e por que o evangelho é contracultural.

TK:   Sim. Mas é claro que, obviamente, eu tenho tanto amor por esses catecismos que eu nunca – jamais – gostaria de jogá-los no lixo.

JS: Você poderia imaginar esse tipo de catequese contextual como quase a penumbra, ou a varanda, que levará você àqueles catecismos históricos, especialmente considerando o fato de que, como você disse, estes últimos estão altos demais na prateleira em relação a onde as pessoas estão em termos de alfabetização bíblica e teológica, de forma que precisaríamos de algum tipo de escada até eles?

TK:   Se você observar, verá que muitos catecismos, como o de Heidelberg e o de Westminster, tinham múltiplas finalidades. Eles foram tanto confissões para a igreja como ferramentas instrutivas. Eu conheci Harry Conn alguns anos atrás, quando eu estava no Seminário de Westminster. Ele costumava falar que achava que há, na verdade, vários catecismos com um aspecto apologético. (É por isso que eles estavam basicamente dizendo por que você deveria ser protestante e não católico). Eles também tinham um aspecto instrutivo. E eles tinham um aspecto confessional, no sentido de que os usamos para testar nossos ministros, e esse tipo de coisa. Ele diz que os catecismos que fazem todos os três são muito difíceis de criar.

Se fôssemos criar um assim agora, levaria muito tempo. Ele diz que a melhor coisa a fazer é escrever algum que seja apenas instrutivo e talvez com esse estilo apologético, mas não devemos tentar criar um que seja para testar a ortodoxia.

JS: O catecismo que você está descrevendo teria quase uma função “desmascaradora”. Algo do tipo: observe o que você “apreendeu” através da imersão no tempo e no lugar que você está. Seria uma forma de autoexame.

TK:   Seria um pouco perigoso fazê-lo, porque você tem que ter cuidado para não ler na Bíblia o que você quer ver. Você pode querer começar com as narrativas: faça uma lista das narrativas modernas e pós-modernas e, em seguida, compare-as com a narrativa bíblica. Por exemplo, outro dia, fiz uma lista sobre a narrativa do ego inflado e percebi que toda a ideia de adoção no Novo Testamento provavelmente contraria a narrativa identitária ainda mais do que a ideia de justificação.

Outra ideia que percebi é a de gabar-se, que aparece o tempo todo. Gabar-se é claramente uma forma de colocar confiança em algo e, portanto, obter uma identidade a partir de algo. Assim, “não se glorie o sábio em sua sabedoria” – que significa gabar-se em sua sabedoria – “nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas”. Essas são identidades alternativas. O que estou dizendo é que provavelmente existem cinco ou seis maneiras de se contrapor a narrativa da identidade com a verdade bíblica. Então você pode passar para outras narrativas. Isso acabará por se tornar um catecismo? Talvez.

JS: Muitos de nossos leitores entendem a importância do chamado de investir no bem comum. Eles entendem a importância da teologia pública, e a igreja é importante para eles. É por isso que muitos deles ressoam com as suas ideias. Mas uma das coisas que me intriga é que você também é um evangelista sem remorsos.

Eu creio que muitas pessoas que se preocupam com o bem comum público, seja falando sobre isso em termos de justiça social ou de transformação cultural – e aqui estou incluindo muitas pessoas da minha própria tribo – são um pouco melindrosas e talvez até mesmo envergonhadas com o evangelismo. Há uma coisa que você disse uma vez na Universidade da Virgínia, quando estávamos com James Davison Hunter, que não consegui esquecer. Não consigo me lembrar exatamente do contexto, mas você basicamente disse: “Quem pode dizer que não haverá um reavivamento?” Era como se isso tivesse significado público; como se você estivesse dizendo: aqui estão nossas esperanças para o que a sociedade será, para como seriam as instituições sociais; aqui estão nossas esperanças de consertar o mundo. Assim, por que não pensamos que as conversões a Cristo são relevantes para isso? Você poderia falar um pouco mais sobre como vê o trabalho de evangelismo se encaixando com esse interesse em teologia pública?

TK: Minha experiência pessoal com avivamento foi quando eu estava na faculdade. Eu era um cristão muito novo. Fiz parte de um pequeno grupo evangélico, de cerca de dez pessoas, na Bucknell University, por volta de 1969 ou 1970. Eu acho que me tornei um cristão provavelmente no início de 1970, e fazia parte desse grupo. Mas nos sentíamos muito pequenos na batalha. No entanto, quando Nixon e os EUA invadiram o Camboja, houve uma greve estudantil. Foi algo um tanto sem precedentes, em todo o país. Os alunos se recusavam a ir para a aula, mas queriam discutir isso. Em quase todos os lugares que eu conhecia, incluindo o lugar onde eu estava, alguém ligava um microfone na praça, e as pessoas ficam ali sentadas o dia todo, e qualquer um que queria podia falar.

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JS: Um Recanto do Orador.

TK: Bem, nosso pequeno grupo ficou radical em um certo ponto, e colocamos uma placa na praça. Ainda me lembro do que dizia: “A ressurreição de Jesus Cristo é intelectualmente crível e existencialmente satisfatória”. Nós nos sentamos em um estande, e era um vale-tudo. Isso era quando você não precisava de permissão para montar um estande e pagar aluguel, ou algo assim. Nós tivemos dezenas e dezenas de pessoas chegando ali mesmo na quadra para conversar sobre por que o Cristianismo é relevante para elas, e assim por diante. Em setembro, 120 ou 130 pessoas compareceram em nossa primeira reunião de um ano de organização. Antes disso, o comparecimento médio era de 15 pessoas.

Mas não havia “programa” além disso. Todas essas pessoas eram não-cristãos dizendo: “Queremos ouvir seus oradores”, então tínhamos muito cuidado com quem escolhíamos. Mas então, no próximo ano e depois em dois anos – e isso se estendeu do meu primeiro até o último ano – provavelmente 80 ou 90 jovens se tornaram cristãos. Então, no próximo ano, nós não tínhamos tanta gente; nós tínhamos cerca de 100 pessoas vindo aos encontros. Não sei o que aconteceu depois disso, mas lembro que não foi programado. Não foi algo como: “aqui está a nossa ‘estratégia'”. Nós simplesmente começamos a proclamar.Parte inferior do formulário

Fui estudar no Gordon-Conwell e, no meu primeiro semestre, fiz um curso recém-iniciado de Richard Lovelace chamado A Dinâmica da Vida Espiritual. Ele era um especialista na história dos reavivamentos. Eu fiquei tão interessado nesse curso que fiz um segundo curso, chamado História dos Avivamentos. Percebi, enquanto lia os relatos do Grande Avivamento e do Segundo Grande Avivamento, que eu, de fato, havia experimentado, em uma situação e escala muito menores, exatamente os tipos de coisas sobre as quais eles falavam.

Cristãos que estavam dormindo acordaram, e Deus se tornou real. Os não-cristãos que pensavam que eram cristãos diziam: “Sabe, eu nunca fui realmente um cristão”, e: “Eu me converti”. Os não-cristãos eram atraídos pelo tipo de beleza da comunidade e pela disposição das pessoas para conversar. Alguns não-cristãos realmente duros se converteram. Assim, foi uma combinação das coisas que Lovelace dizia acontecer durante um tempo de avivamento. Muitas dessas coisas aconteceram conosco: proclamação, uma recuperação da diferença entre graça e obras, saber o que dizer às pessoas, muita oração, orações extraordinárias, e todo tipo de coisas. Bem, aconteceu.

Lovelace dizia que achava que os avivamentos, na verdade, só aconteciam em sociedades cristãs. De fato, Charles Taylor marca os avivamentos wesleyanos como um dos indicadores da contra-modernidade. O romantismo foi outro – outro impulso contra a aridez do Iluminismo. Eu entendo isso, mas algo assim aconteceu na África Oriental, e ela não é uma cultura cristã. Algo assim aconteceu por pelo menos uma ou duas décadas no início do século XX na Coreia. Isso nunca dura, o que é meio estranho. Isso nunca dura, e você não pode colocar numa garrafa. Eu sei que estou parecendo um revivalista. Infelizmente, no mundo reformado, o revivalismo, as abordagens mais eclesiais e as abordagens mais schaefferianas simplesmente parecem não se sobrepor – elas não se beijam, não dão as mãos.

Essa foi a nossa experiência aqui em Nova York no começo. Kathy e eu diríamos que, em pelo menos seis meses e talvez um pouco mais, nós tivemos isso quando chegamos aqui. A mesma coisa aconteceu. Em parte, estávamos preparando as coisas para isso. O doutor Martyn Lloyd-Jones gostava de dizer que Deus não manda seu fogo para a poça de lama. Você pode construir o altar ou não.

Assim, nós sabíamos o suficiente para construir o altar. Nós sabíamos que tipo de coisas ele poderia abençoar. Esta é a razão pela qual a Redeemer está aqui: é porque havia pelo menos algumas centenas de pessoas que se tornaram cristãs durante um período de dois anos. Quando isso aconteceu, Nova York não era um lugar para onde as pessoas se mudavam. Nós não tínhamos fregueses de igrejas. Isso foi entre 1989 e 1991. Não foi quando os evangélicos se mudaram para cá.

Eu olho para trás e digo: “Isso foi realmente crucial para o nosso ministério”. Nós temos um Centro para Fé e Trabalho? Já fizemos coisas kuyperianas? Nos importamos com a justiça? Todas essas coisas, para mim, receberam vigor do reavivamento. Ele não é um inimigo. Estranhamente, no entanto, muitas vezes parece que essas coisas não andam juntas.

JS: Eu acho que elas são, na verdade, provavelmente insustentáveis uma sem a outra, porque o que me interessa é, mesmo que você esteja pensando em mudança cultural e transformação –

TK: [sussura] Você está entrando em contato com seu lado Pentecostal, Jamie. [risadas]

JS: Talvez. [risos] Eu também acho que é Jonathan Edwards. Na minha tradição, por todas as razões certas, enfatizamos a transformação estrutural sistêmica. Isso é importante. Da mesma forma, o movimento pelos direitos civis teve que mudar as leis. Mas, por outro lado, acho que já vimos todos os tipos de evidências de que você também precisa estar transformando os agentes que habitam essas estruturas, sistemas e leis. O que me decepciona quando as pessoas se desesperam com a marginalização da igreja é que elas decidiram que o presente é um indicador do futuro. Mas isso não parece uma espécie de expectativa encontrada no livro de Atos. Não é a lógica do livro de Atos.

TK:   A realidade é que existe algum tipo de tensão. Por exemplo, se você força, força e força a mensagem de que você pode servir a Deus tão bem em uma sala de reuniões ou em uma galeria de arte quanto você faz dentro da igreja – se você forçar isso, alguém dentro dirá, “Ninguém vai precisar do ministério.” Isso porque, na tradição revivalista, você diz que pregar a Palavra de Deus é o chamado mais elevado que qualquer pessoa pode aspirar. Como um pregador da Palavra, eu realmente me sinto assim. Martin Lloyd-Jones, que era médico, disse algo como: “Eu preferiria salvar a alma das pessoas pela eternidade do que remendá-las temporariamente”. Geralmente, a maioria de nós que é chamado para o ministério se sente assim, mas eu mudei essa retórica. Talvez mudei demais. Eu também tenho pessoas na minha igreja que são apenas abelhas trabalhadoras evangelísticas, mas eu também tenho outras pessoas que são as pessoas kuyperianas, estruturais e envolventes, e não há nenhuma tensão real entre elas, porque eu expliquei de forma bastante enfática porque precisamos de ambas. Eu estava prestes a dizer duas asas do avião, mas acho não é tão simples assim.

Você tem que deixar as pessoas se especializarem. Você não pode esperar que todos tenham esse equilíbrio incrível, mas se você é um líder de líderes em sua igreja, você tem que estar disposto a ser cuidadoso ao não privilegiar um dos grupos. Você deve sempre tentar mostrar que eles deveriam trabalhar juntos.

JS: Conte-nos um pouco sobre onde você está investindo agora. Obviamente você está chegando a uma transição em sua vida, em que está se afastando do ministério de pregação. Onde você deseja investir nessa próxima fase também é provavelmente um sinal de onde você encontra muita esperança. O que te dá esperança?

TK:   Isso é interessante. Eu pensei que você ia perguntar com o que eu estou mais preocupado também. Cheguei à conclusão de que, embora tenha sessenta e seis anos, eu provavelmente poderia pregar tão bem quanto tenho pregado por ainda um bom tempo. Mas sinto que já formei a igreja e meu povo da melhor maneira possível, e essa não é a única maneira de formar pessoas. Eu acho que preciso estar treinando ministros e pessoas no ministério, e também ajudando-os a catequizar nas maneiras que temos falado, no cuidado pastoral. Eu sei que parece um pouco banal. Isso parece algo como: “eu fiz isso; agora estou treinando pessoas para fazer o que eu fiz”. Mas, embora eu tenha tentado arduamente ser um bom pregador, eu realmente penso que a pregação não pode carregar toda a água que os evangélicos querem que ela carregue.

Então eu realmente sinto que preciso estar treinando pessoas, moldando as pessoas mais profundamente do que eu poderia através da pregação, apesar do fato de que eu sempre serei, até o fim da minha vida, melhor como pregador do que como treinador. Mas é hora de eu fazer esse tipo de treinamento.

JS: Ao fazer isso, você também espera equipar as pessoas para liderar e plantar igrejas, e que tenham uma noção holística daquilo para que elas são chamadas, e não apenas para assistir a um sermão.

TK:   Isso mesmo. De certa forma, ao me tornar um pregador bem conhecido, não estou sendo um bom exemplo, acredite ou não. As pessoas têm uma tendência a dizer: “Oh, você poderia simplesmente pregar, e então tudo dará certo. Você tem uma grande igreja.” E eu estou dizendo: “Eu estou no meio dessa coisa e sei que isso não é tudo o que você precisa, e quero mostrar isso a você.”

Traduzido por Fernando Pasquini Santos e revisado por Jonathan Silveira.

Texto original: Catechesis for a Secular Age.

James K. A. Smith (PhD, Villanova University) é professor de Filosofia na Calvin College, onde também ocupa a cátedra Gary e Henrietta Byker de Teologia e Cosmovisão Reformadas Aplicadas. É editor da revista Comment, além de autor e organizador de vários livros, entre eles 'Você é aquilo que ama' e 'Desejando o Reino', publicados por Vida Nova.
Timothy Keller nasceu e cresceu na Pensilvânia, com formação acadêmica na Bucknell University, no Gordon-Conwell Theological Seminary e no Westminster Theological Seminary. Ele é pastor da Redeemer Presbyterian Church, em Manhattan. Já esteve na lista de best-sellers do New York Times e escreveu vários livros, entre eles A fé na era do ceticismo, Igreja centrada, A cruz do Rei, Encontros com Jesus, Ego transformado, Justiça generosa, entre outros, todos publicados por Vida Nova.
Vivemos em uma época que valoriza a razão empírica, a evolução do progresso humano e o direito de todos escolherem sua própria expressão de significado, propósito e alegria. Para muitos hoje, a ideia de Deus ou de um poder superior não faz mais nenhum sentido. Para muitos, a fé e a religião já não podem oferecer nada de valor. Como seres humanos, não podemos viver sem satisfação, sentido, liberdade, identidade, justiça e esperança.

Por isso, neste novo livro, Timothy Keller, pastor e autor best-seller do New York Times, convida o cético e o estudante de filosofia e de religião a considerar que o cristianismo ainda é a resposta para todas essas necessidades. Escrito para crentes e para quem ainda não vê razões para crer, Deus na era secular lança luz sobre o profundo valor e importância do cristianismo em nossas vidas.

Publicado por Vida Nova.

1 Comentário

  1. Matheus disse:

    Olá. Onde posso conseguir o material da catequese do Keller? Obrigado.

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